Morreu nesta terça-feira (12), aos 88 anos, Hitler Harvey Pini, personagem conhecido e curioso da história recente de Bauru pelo nome incomum que carregava e pela trajetória marcada pelo amor ao futebol, à família e pela simplicidade. Natural de Itapuí, Hitler Pini nasceu em 7 de julho de 1937, descendente de italianos. O nome que o tornou conhecido surgiu de uma escolha inusitada do pai no cartório. Apesar da associação imediata ao ditador alemão Adolf Hitler, Pini sempre fez questão de rejeitar qualquer ligação com ideias nazistas ou discursos de ódio. “De jeito nenhum. Odeio guerra. Sou a favor da paz e do bem-estar”, afirmou em entrevista concedida em maio de 2025 ao JCNET, ao comentar sobre o peso do próprio nome.
Ao longo da vida, construiu uma história completamente diferente daquela associada ao seu homônimo. Trabalhou durante décadas como agente de segurança penitenciária, foi apaixonado por futebol e carregava com orgulho o fato de ter enfrentado Pelé em partidas disputadas em Bauru no início da década de 1960, quando atuava pelo Barabá contra o Bauru Atlético Clube (BAC).
Palmeirense declarado, também gostava de assistir jogos pela televisão e reunir a família para momentos simples, muitas vezes acompanhados de um vinho.
Mas talvez sua maior marca tenha sido a longa história de amor vivida ao lado da esposa, Julieta Pini. O casal permaneceu junto por mais de seis décadas, entre namoro e casamento.
Católico, ele chegou a enfrentar resistência ainda no batismo por conta do nome. Segundo contava, o padre recusou batizá-lo como “Hitler”, e ele acabou recebendo o nome de “José” na cerimônia religiosa. Nos últimos anos, enfrentava problemas de saúde ro que exigiu cuidados médicos constantes. O sepultamento ocorreu na tarde desta terça-feira (12), no Cemitério São Benedito.