O Dia das Mães, celebrado em todo segundo domingo de maio no Brasil, homenageia mulheres que ocupam papel central na formação das famílias e na educação dos filhos. A data reconhece não apenas o afeto materno, mas também os desafios enfrentados no cotidiano.
A origem da celebração remonta ao século 17, na Inglaterra. Na época, surgiu o "Mothering Day". Trabalhadores recebiam folga no quarto domingo da Quaresma para visitar suas mães.
No início do século 20, a homenagem ganhou força nos Estados Unidos. A mobilização partiu de Anna Jarvis, que organizou eventos em memória da mãe, a ativista Ann Maria Reeves Jarvis, morta em 1905. Em 1914, o presidente Woodrow Wilson oficializou a comemoração no país.
A tradição se espalhou pelo mundo nas décadas seguintes. No Brasil, o primeiro Dia das Mães foi celebrado em 1918, por iniciativa da Associação Cristã de Moços, em Porto Alegre. A data tornou-se oficial em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1947, o arcebispo dom Jaime de Barros Câmara incluiu a comemoração também no calendário da Igreja Católica.
Com o passar dos anos, o papel das mães mudou. Antes associadas quase exclusivamente ao cuidado da casa e dos filhos, muitas passaram a ocupar espaço crescente no mercado de trabalho.
Dados do Sebrae-SP indicam que, apenas em Bauru, 22.075 mulheres foram formalizadas como microempreendedoras individuais em 2025. Levantamento do IBGE, com base na PNAD Contínua, mostra avanço semelhante no país.
Entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2025, o número de mulheres empregadas passou de 37,9 milhões para 44,6 milhões. No mesmo intervalo, o total de homens empregados subiu de 51,9 milhões para 57,7 milhões.
Mesmo com maior presença no mercado de trabalho, muitas mães seguem responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas. A rotina inclui compromissos profissionais, organização da casa e acompanhamento da vida escolar dos filhos.
A médica Mariah Ferrão, gerente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e mãe de Matias Ferrão, de 15 anos, conhece bem essa realidade.
"Plantão não respeita final de semana, feriado ou momentos importantes. Nem sempre dá para estar presente em tudo. Isso exige organização e consciência de prioridade. Aprendi a valorizar muito mais a qualidade do tempo do que a quantidade. Quando estou com minha família, realmente estou presente, porque a rotina é pesada, mas o que sustenta tudo isso são esses momentos", afirma.
Apesar das dificuldades, o vínculo entre mães e filhos permanece como um dos pilares da família. São elas que acompanham as primeiras descobertas, orientam decisões e oferecem apoio nos momentos difíceis.
Em alguns casos, os desafios da maternidade são ainda maiores. É o que ocorre com mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que afeta a comunicação, o comportamento e a forma de interação com o mundo.
A psicopedagoga Ana Lucia Barros, mãe de Frederico Barros, de 5 anos, diagnosticado com autismo leve (nível 1), relata que a maternidade trouxe novos aprendizados.
"Ser mãe atípica é uma missão desafiadora, mas também revela uma nova forma de enxergar a vida. É um caminho lindo e cheio de descobertas. Eu trabalho com crianças atípicas e aprendo com todas elas. O maior desafio é tentar ver o mundo pela perspectiva do meu filho", diz.
Nesse contexto, o Dia das Mães ganha um significado ainda mais amplo. A data se transforma em um momento de reconhecimento ao esforço diário de mulheres que equilibram trabalho, casa e cuidado com os filhos.
Mais do que presentes ou homenagens, a celebração reforça o valor da presença. Para muitas mães, a maior recompensa continua sendo acompanhar o crescimento dos filhos e perceber, ao longo dos anos, os ensinamentos refletidos em cada passo deles.
Mariah Ferrão resume esse sentimento: "Acompanhar as conquistas do meu filho e viver esses momentos juntos não só aproxima, como também me recarrega. Me tornei mãe antes de me sentir pronta. Ser mãe solo me ensinou mais do que qualquer livro de medicina. Enquanto me tornava médica, também me tornava mãe. E, enquanto crescia profissionalmente, havia alguém crescendo comigo, olhando, aprendendo e me ensinando também. Sempre achei que meu filho precisava de mim, quando, na verdade, sempre fui eu que precisei dele."