OPINIÃO

O trabalhador não pode organizar sua própria escala?!

Por Erlon Ortega | Presidente da Associação Paulista de Supermercados (APAS)
| Tempo de leitura: 2 min

O debate sobre a escala de trabalho desperta aquela velha frase: “Cada lado tem a sua razão” e, completando: “Assim não teremos evolução”. Nos tempos de IA, a discussão de modelos engessados parece não fazer o menor sentido. Sob a ótica de mais tempo com a família, melhor qualidade de vida e mais tempo para estudos, a jornada 5x2 com 40 horas semanais sai vencedora.
Sob a ótica do aumento do custo de vida, aumento da informalidade e do atual apagão de mão de obra, a jornada 5x2 com 40 horas semanais sai perdedora. Algumas redes do nosso estado já estão praticando a escala 5x2 mantendo as 44 horas semanais, com bons resultados, conseguindo que os colaboradores tenham dois dias de folga na semana sem que o custo operacional sofra aumentos. Sabemos que o momento pré-eleitoral não deveria pautar instantaneamente uma discussão tão relevante para nossa sociedade. Também sabemos que os encargos sobre a folha de pagamento fazem com que a remuneração seja muito para quem paga e pouco para quem recebe — e isso não está sendo pautado, não é? Mas faço uma pergunta: o trabalhador não pode organizar sua própria escala? Hoje, quase 1/3 dos trabalhadores dos supermercados são jovens de até 25 anos, e o jovem não quer mais o velho modelo de trabalho.
Ele quer flexibilidade: ser empreendedor pela manhã e trabalhar em um supermercado à tarde, ou estudar à tarde e trabalhar aos finais de semana. Por outro lado, mais de 10% dos colaboradores do nosso setor fazem parte do atencioso grupo dos 50+, que preferem horários mais compactos. Ou seja, jovens e experientes querem liberdade para acelerar ou reduzir seus ritmos de trabalho. Horista, diarista ou jornada livre — qualquer que seja o título — devem manter todos os direitos trabalhistas na proporção trabalhada, e este é o momento ideal para tal implantação. Essa evolução traria para o mercado formal milhares de horistas e diaristas que estão na informalidade, garantindo direitos a essa grande parcela de trabalhadores. O futuro do trabalho não deve estar no relógio de ponto, e sim no relógio da liberdade.

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