A CADA ANO PIOR

Imprudência, intolerância e asfalto pioram o trânsito de Bauru

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Mateus Ferreira
A frota na cidade é gigantesca de - 300 mil veículos - e este alto volume soma-se ao péssimo asfalto, ausêncai de novas vias, pressa, egoísmo e a ausência de direção defensiva
A frota na cidade é gigantesca de - 300 mil veículos - e este alto volume soma-se ao péssimo asfalto, ausêncai de novas vias, pressa, egoísmo e a ausência de direção defensiva

"Como eu estou dirigindo?". Você já parou para se fazer essa pergunta? Afinal, o que está acontecendo com o trânsito de Bauru nos últimos anos? Fato é que ele está piorando, segundo os próprios motoristas e especialistas no assunto. A cada novo dia, aumenta o número de conversões arriscadas, o desrespeito ao semáforo e à placa de Pare. Cada vez menos as pessoas usam a seta, sem contar os registros de filas intermináveis que transformam trajetos curtos em gargalos que testam a resistência. Outro detalhe percebido é que, diferentemente da Capital, no Interior, quando você tenta uma ultrapassagem, há motoristas que aceleram propositalmente, em um ato de egoísmo, para fechar e não permitir a mudança de faixa.

NÚMEROS

No comparativo do primeiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025 e 2024, levando em consideração apenas o perímetro urbano, segundo dados da Emdurb, ou seja, sem contar as rodovias, Bauru teve neste ano, entre janeiro e março, 516 acidentes de trânsito, sendo 277 deles com vítimas. Foram 17 os atropelamentos e o número de óbitos chegou a 8.

No primeiro trimestre de 2025 foram 481 acidentes, sendo 240 deles com vítimas. Foram 27 vítimas de atropelamento nos três primeiros meses e um total de 118 no ano todo. Três pessoas perderam a vida no trânsito no primeiro trimestre e 20 no ano inteiro.

Em 2024, o primeiro trimestre registrou 546 acidentes, 262 deles com vítimas. Foram 31 as pessoas atropeladas neste período. Já com relação ao número de óbitos no trânsito, foram 8 entre janeiro e março e 24 no ano todo.

RODÍZIO É VIÁVEL?

O que o bauruense também já pode se perguntar é: será que está na hora de a Câmara Municipal, a Prefeitura de Bauru e a Emdurb fazerem estudo de implantação de rodízio no trânsito, semelhante ao da Capital? Atualmente, em 2026, Bauru conta com uma frota gigantesca de 300 mil veículos, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), para uma população estimada em 391.740 habitantes, segundo dados do IBGE, referentes a 2024. Outro fator problemático está na má qualidade do asfalto.

ESPECIALISTAS


Adilson Caldeira, Michel Batista e Anauá Moreira (Foto: Divulgação)

Segundo Adilson Caldeira, diretor de Sistema Viário e Transportes da Emdurb, a grande questão do alto índice de acidentes é o desrespeito à sinalização. "O que ocorre em nosso município é que a maioria dos condutores não faz a parada como deveria ser feita no pare e acaba avançando além dos limites. E muitos querem aproveitar a passagem de um semáforo verde para amarelo e acabam entrando no cruzamento já com o sinal proibido, vermelho, causando acidentes", comenta ele.

Caldeira acrescenta que são frequentes as campanhas de conscientização da Emdurb, além da fiscalização constante. Ele também destaca que é necessário ter uma preocupação futura com a formação dos novos condutores, devido às novas mudanças da legislação com relação às autoescolas.

De acordo com Michel Batista, coordenador do Grupo de Operações de Trânsito (GOT), a equipe tem observado que a maioria dos acidentes acontece por desrespeito à sinalização. "Isso é fruto mais de imprudência e excesso de confiança do que de imperícia (falta de técnica), embora em alguns casos também ocorra a falta de habilidade. O fato é que o condutor sabe o que a placa significa, mas subestima o risco em favor da pressa. O desrespeito à sinalização é uma falha de comportamento, de educação, e isso é crônico na nossa sociedade, infelizmente", destaca Michel.

Ele acrescenta que já foi instrutor de trânsito por 4 anos e o fato é que nunca formamos pessoas que sabem operar veículos. "Algumas já chegam sabendo, mas a maioria não. E essas pessoas que não sabem vão para o exame ainda sem saber, porque só se preocuparam em adquirir a habilitação (o documento) e não a habilidade necessária", frisa ele.

De acordo com Anauá Moreira, chefe do Setor de Educação para o Trânsito e Mobilidade da Emdurb, o que se deve levar em consideração é que o ato de dirigir vai muito além da habilidade motora: envolve também regras de comportamento. O motorista, segundo ela, deve ser capaz de ajustar seus sentimentos e habilidades para encontrar um ponto de equilíbrio em situações atípicas no trânsito.

"Eu percebo que os motoristas têm um comportamento egoísta, sem levar em consideração que todo mundo precisa chegar bem ao seu destino. Precisamos pensar mais no coletivo do que no individual", finaliza.

O Maio Amarelo, campanha dedicada à conscientização para a segurança viária e redução de acidentes de trânsito, da qual o JC e JCNET são incentivadores, traz neste ano o tema: "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas." Ela visa mobilizar sociedade e governo para um trânsito mais seguro.

Comentários

Comentários