COLUNISTA

Imagens antes de qualquer tratamento

Por Alberto Consolaro |
| Tempo de leitura: 2 min
Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
Como saber o que se tem nas raízes dentárias e ossos maxilares se não obtivermos imagens previamente para visualizá-los?
Como saber o que se tem nas raízes dentárias e ossos maxilares se não obtivermos imagens previamente para visualizá-los?

As doenças nos maxilares seriam diagnosticadas precocemente, ou até evitadas, se todos os profissionais adotassem o protocolo se obter imagens radiográficas e ou tomográficas antes de qualquer tratamento, mesmo que afetasse apenas o esmalte ou tecidos moles.

Doenças ósseas, cistos, neoplasias odontogênicas, tumores ósseos benignos e malignos, assim como dentes não irrompidos e alterações do desenvolvimento seriam diagnosticadas antes. Antigamente se tinha medo das radiações que seríamos expostos, mas hoje os aparelhos, acessórios e técnicas reduziram-nas, otimizando as imagens e não expondo o paciente aos seus efeitos negativos significantes.

Alguns não pedem, talvez porque a maioria das faculdades de odontologia não tenha um parque tecnológico para se obter estas imagens, mas mesmo assim, elas poderiam ser solicitadas para ser realizadas em clínicas de documentação fora das escolas. Na maioria das faculdades de medicina, assim como de fisioterapia, enfermagem e outras também não se tem todos os aparelhos necessários para se exercer as profissões, mas o treinamento se faz externamente.

Em consultorias e diagnósticos de doenças, percebo a quantidade de casos como complicações de procedimentos simples. Por exemplo, pacientes que depois da exodontia de uma raiz residual, evoluíram para osteomielite aguda purulenta porque são portadores de displasia cemento-óssea florida. Ossos esclerosados são menos resistentes a situações infecciosas. Mas como saber sobre o osso, sem imagens prévias?

Cada vez mais sobrevivemos a doenças crônicas, metabólicas, ósseas, autoimunes e ao câncer. Inclui-se diabete, lúpus eritematoso, artrite reumatoide, condições renais e cardiovasculares, etc. Sobrevivemos controlados com remédios, procedimentos periódicos, nutrição personalizada e fisioterapia. E vivemos mais tempo que a média de décadas anteriores e, junto com a idade sobrevém algumas debilidades, desde o sistema muscular esquelético até as doenças neurodegenerativas.

BACTEREMIA TRANSITÓRIA

Ao escovar os dentes, se alimentar, pentear os cabelos, tomar banho e outros procedimentos simples, inevitavelmente, introduzimos bactérias no interior dos tecidos vascularizados. Normalmente, não se tem bactérias nestes tecidos internos.

As bactérias estão em nossas superfícies internas e externas do tubo irregular que constituímos, ou seja, temos microbiotas na boca, garganta, esôfago, estomago, intestino, sistema respiratório e geniturinário. Elas constituem 100 trilhões de bactérias, enquanto temos 10 trilhões de células, mas em pleno equilíbrio. Elas vivem em nós e nós convivemos com elas.

Quando entram em nós, os componentes da inflamação e sistema imune, eliminam-nas rapidamente em segundos ou em minutos. Este curto período se chama “bacteremia transitória”. Nos pacientes com comorbidades e ou deficiências, estes sistemas de defesa antimicrobiana podem demorar mais tempo para eliminar estas bactérias, tipo meia hora.

A vida média de uma bactéria, antes de virar duas, é de 20 minutos. Dar mais tempo para as bactérias significa duplicar sua população a cada 20 minutos. E ainda dá tempo para que elas se esconderem e se protegerem em locais irregulares do corpo como as válvulas cardíacas e os rins. E o osso é um de seus alvos preferidos.

REFLEXÃO FINAL

Se todo tratamento odontológico fosse antecedido de imagens, teríamos muito mais saúde bucal. A maioria das doenças dos maxilares são silenciosas e se descobre depois de muito tempo. Antigamente, se fazia exodontia na cara e coragem, sem saber o que estava acontecendo com o osso e o próprio dente, mas isto foi 50 anos atrás, não se aceita mais isto, inclusive legalmente!

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