No 4º Domingo da Páscoa, a liturgia nos convida a contemplar Jesus como a Porta das Ovelhas. Antes mesmo de compreendermos o que isso significa nas leituras, é importante perceber a força dessa imagem. Nos tempos de Jesus, os pastores reuniam seus rebanhos em recintos chamados redil ou aprisco — espaços cercados, muitas vezes simples, feitos de pedras, onde as ovelhas passavam a noite protegidas. Não raramente, o próprio pastor se colocava na entrada, tornando-se literalmente a "porta": ele impedia que as ovelhas se dispersassem e, ao mesmo tempo, defendia o rebanho dos perigos. Quando Jesus afirma: "Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo" (Jo 10,9), Ele revela que não é apenas um guia, mas o próprio caminho seguro para esta vida e para a vida eterna. Ele é aquele que protege, conduz e oferece acesso à verdadeira liberdade. Não se trata de limitar, mas de garantir a vida em plenitude: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância". (Jo 10,10).
A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos (At 2,14a.36-41), nos apresenta o anúncio corajoso de São Pedro no dia de Pentecostes. Diante da multidão, ele proclama: "Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes". (At 2,36). Essa afirmação é central: Jesus não é apenas um mestre ou profeta, mas o Senhor da história, o Cristo, o Ungido de Deus. A reação do povo é imediata e profunda: "ficaram com o coração aflito". (At 2,37). Esse "coração aflito" indica um despertar interior, uma consciência tocada pela verdade. Diante disso, surge a pergunta essencial: "Irmãos, o que devemos fazer?" (At 2,37). São Pedro responde com clareza: "Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados". (At 2,38). Aqui está a porta que se abre: a conversão e o batismo. Entrar por Cristo significa mudar de vida, acolher o perdão e viver na graça do Espírito Santo. A promessa, diz Pedro, é para todos: "para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe". (At 2,39). O resultado é extraordinário: milhares acolhem a fé e iniciam uma nova vida. A Igreja nasce como um povo que entrou pela porta que é Cristo.
O Salmo 22 (23) reforça essa imagem com delicadeza: "O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha". O pastor não apenas guarda, mas conduz com cuidado, oferecendo descanso, alimento e segurança. "Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida" — eis o destino de quem se deixa guiar por Deus. A porta que é Cristo não leva à opressão, mas à plenitude e à paz.
Na segunda leitura (1Pd 2,20b-25), São Pedro aprofunda ainda mais o sentido desse cuidado. Ele apresenta Cristo como o modelo de quem sofre por fazer o bem: "Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos". (1Pd 2,21). Jesus não responde à violência com violência, nem à injustiça com vingança. Ele confia plenamente em Deus. O ponto central está na cruz: "Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo". (1Pd 2,24). Aqui entendemos como Jesus se torna a Porta: Ele abre o caminho da salvação através do seu sacrifício. Seu amor nos reconcilia com Deus e nos devolve a vida. Por isso, São Pedro afirma: "Por suas feridas fostes curados". (1Pd 2,24). E conclui com uma imagem que se conecta diretamente ao Evangelho: "Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas". (1Pd 2,25). Estar longe de Cristo é estar perdido; voltar para Ele é reencontrar o sentido e a direção.
Neste mesmo domingo, celebrado como o Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, somos convidados a olhar para dentro de nós e reconhecer que a voz do Pastor continua a chamar. Como recorda o Santo Padre, o Papa Leão, na sua mensagem para esse dia de Oração pelas Vocações, a vocação nasce no interior, como um dom gratuito de Deus que precisa ser escutado no silêncio, na oração e na vida da comunidade. Cristo, Porta das ovelhas, não apenas nos conduz, mas nos chama pessoalmente a segui-Lo, a participar da sua missão e a descobrir que, com Ele, a vida se torna verdadeiramente bela. Cada vocação - seja ao matrimônio, à vida consagrada ou ao ministério ordenado - é um caminho de amor e de realização, que cresce na confiança e na intimidade com Deus.
Neste domingo, somos convidados a fazer uma escolha concreta: por qual porta estamos entrando? A Boa Nova é que a porta continua aberta. Cristo permanece disponível. Que possamos reconhecer sua voz, entrar por Ele e caminhar com confiança, certos de que, conduzidos pelo Bom Pastor, encontraremos a verdadeira vida.