O aumento dos casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos tem preocupado especialistas e reforça a necessidade de prevenção precoce. Em Bauru, os dados mostram crescimento nas internações nos últimos anos, cenário que, segundo cardiologistas, está diretamente ligado ao estilo de vida, ao tabagismo, ao estresse e à falta de acompanhamento médico.
O avanço dos casos de infarto entre jovens adultos tem chamado a atenção da comunidade médica. Embora ainda represente uma parcela menor do total de ocorrências, o número de pacientes com menos de 40 anos internados por síndrome coronariana vem crescendo gradativamente. Em Bauru, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, 61 pessoas nessa faixa etária foram internadas por infarto em 2025, contra 56 casos em 2024. Somente nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, nove internações já foram registradas.
Em entrevista, o cardiologista Cristiano Roberto Barros, do Hospital Estadual de Bauru, destacou que, proporcionalmente, os casos praticamente dobraram nos últimos anos. "A porcentagem ainda é pequena, mas praticamente dobrou nos últimos anos nessa faixa etária populacional. O risco maior está relacionado ao não controle dos fatores de risco, principalmente ambientais", afirmou o médico.
Segundo o médico, atualmente cerca de 10% dos casos atendidos mensalmente no hospital envolvem pacientes com menos de 40 anos, enquanto anteriormente esse índice girava em torno de 5%.
Entre os principais fatores associados ao aumento dos infartos precoces estão o tabagismo, o uso frequente de bebidas alcoólicas e energéticos, a privação do sono, o sedentarismo, a obesidade, o nível elevado do colesterol e o estresse constante.
"O tabagismo voltou pesado, especialmente entre os mais jovens. Hoje existem outras formas socialmente mais aceitáveis, como cigarros eletrônicos e dispositivos similares, o que tem contribuído para o aumento do risco cardiovascular", explicou.
O especialista também chamou a atenção para o uso indiscriminado de estimulantes, incluindo energéticos e substâncias hormonais. Outro dado que chama a atenção é a diferença entre homens e mulheres. Embora cerca de 60% a 70% dos casos nessa faixa etária ocorram em homens, a mortalidade entre as mulheres jovens é maior.
"A incidência é maior nos homens, mas nas mulheres a gravidade costuma ser maior, especialmente quando há associação com tabagismo e uso de anticoncepcional, que pode aumentar a coagulação do sangue", ressaltou.
O médico explica ainda que o infarto em pacientes jovens pode ser mais grave porque o organismo ainda não desenvolveu uma rede eficiente de circulação colateral — mecanismo que cria rotas alternativas para o fluxo sanguíneo no coração. "No jovem, essa circulação colateral ainda não é tão efetiva. Por isso, mesmo sendo menos frequente, o infarto pode ter uma mortalidade maior", disse.
PREVENÇÃO DEVE COMEÇAR CEDO
Para o cardiologista, a principal mensagem é que a prevenção deve começar ainda na juventude, antes mesmo dos primeiros sintomas. "A prevenção deve começar o quanto antes. Depois dos 18 anos, é importante passar por avaliação clínica e fazer exames, especialmente se houver histórico familiar. Se o pai ou o irmão infartou jovem, esse paciente já entra em um grupo de maior risco e precisa de acompanhamento específico", explicou.
Os sintomas do infarto em jovens são semelhantes aos observados em outras faixas etárias e não devem ser ignorados. Os sinais mais comuns são dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, mal-estar, dor irradiada para braço ou costas e sensação de aperto no tórax.
No caso das mulheres, os sintomas podem ser menos típicos e, por isso, muitas vezes confundidos com estresse ou ansiedade. "Às vezes o quadro é mais discreto, mas o desconforto existe e precisa ser investigado rapidamente", alertou o médico.
A orientação é procurar atendimento médico imediatamente diante de qualquer sinal suspeito.
Manter hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, atividade física regular, não fumar, evitar cigarros eletrônicos, consumo excessivo de álcool e energéticos, ter uma rotina adequada de sono e são as principais formas de prevenir um infarto.