OPINIÃO

Sol de Sábado

Por Claudia Zogheib | A autora é psicanalista, especialista pela USP – Departamento de Psicologia, Psicóloga Clínica formada pela USC
| Tempo de leitura: 2 min

Em qualquer manhã, seja ela triste ou feliz, em algum momento nos deparamos com a nossa rotina.

Será um dia feliz, triste? Vamos conseguir dar conta de todas as demandas? Em qual estado emocional estaremos?

São tantas perguntas, e se não olhamos para o nosso mundo interno, se não sabemos quem somos, o que queremos da vida e o que nos move, corremos o risco de entrelaçar automaticamente os rubores de nossa pobreza interna, passando pelas pessoas pensando o pior delas e deixando-nos levar pela correria e pelo julgamento que projeta antes de tudo, o pior de nós mesmos.

Quem somos? O que queremos da vida?

Mais um dia de sol num sábado qualquer, ou será um dia chuvoso?

A vida pode ser mais se olhamos as coisas simples como a água em movimento, um pôr do sol, pássaros cantando com um olhar que nos aproxima de nós mesmos, nos entendendo capaz de perceber que a vida é feita muito mais das pequenas coisas diárias, e ela nos convida a entender onde podemos chegar quando, olhando para as dores e alegrias, nos colocamos como protagonistas das pequenas alegrias de um dia comum, sendo capaz de descansar ou fazer pausa, se entendendo como potência do desconhecido que espera um olhar atento e esperançoso de nós mesmos.

É o desenho da vida que, mais do que saber todas as línguas, mantras e teorias, espera uma apresentação atenta de nós para nós mesmos para aí então, podermos vivenciar um dia comum, a nobreza do vento fresco numa tarde fria ou uma manhã de sol num encontro que não almeja estranhamento, mas deseja saber de si, e espera um diálogo definitivo com a própria subjetividade, para enfim, nos conhecermos sem as vergonhas da destruição que carregamos dentro.

Porque daí, não importa se é dia de sol ou dia chuvoso, importa sermos nós mesmos.

Pois quase sempre, a vida é sobre os sentidos que nos movem e o que fazemos quando, descobrindo isto, trilhamos o trajeto até o fim.

Música “Saturday Sun”, com Nick Drake

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