Nem fígado, nem ego
Política feita no calor do fígado vira vingança mal planejada, dessas que satisfazem o instante e condenam o futuro. Já a política guiada pelo ego é ainda mais perigosa: cria bolhas de aplausos, onde o candidato só escuta quem já concorda com ele… e descobre tarde demais que eleição se ganha fora do espelho.
Ego não soma voto, só alimenta ilusão. Fígado não constrói estratégia, só acelera erro.
Política de verdade exige cérebro e cérebro, convenhamos, dá mais trabalho. Exige cálculo, leitura de cenário, capacidade de ouvir o contraditório sem transformar divergência em inimizade pessoal. Exige criatividade para furar bolhas e tecnologia para alcançar quem não está no seu grupo de WhatsApp.
No caso de Bauru, a matemática é cruel e não aceita romantismo: com cerca de 30 candidatos, acreditar que uma candidatura se sustenta apenas com votos da própria cidade é, no mínimo, ingenuidade; no máximo, vaidade travestida de projeto político.
Quem não entendeu que precisa construir presença em pelo menos 40 cidades não está em campanha, está em autoafirmação. E há uma diferença brutal entre as duas coisas. Porque o cargo de deputado, seja estadual ou federal, não é um troféu pessoal. É uma ferramenta de poder regional. É ponte, articulação, orçamento, influência. É garantir que uma cidade como Bauru não fique assistindo decisões passarem por Brasília ou pela Assembleia como quem vê um trem rápido, barulhento e sempre indo embora sem parar.
No fim, política não é sobre quem você é.
É sobre quantas realidades você consegue alcançar. E isso, definitivamente, não se resolve nem no fígado… nem no ego.