Quem declara guerra é filho do demônio, quem apoia é fdp. O menino da foto ia para a escola do Irã, mal sabia que sua escola ia ser bombardeada por Israel e morreria. Usei palavrão porque a guerra é mais feia ainda. A televisão anda mostrando uma guerra de aviões, não mostra as imagens de uma guerra no chão, com muitos prédios destruídos. Os corpos despedaçados não são mostrados. Tentam poupar os telespectadores de imagens chocantes. Quando fazem isso exercem uma função bélica. Beneditos os covardes, que se negam a matar seus irmãos.
LICENÇA PARA MALDADES
Tudo o que é proibido, penalizado, em tempo de paz é permitido em tempo de guerra. Até bombardear escolas. Guerra é um tempo em que pode tudo, comandado pelo demônio. Árvores e jardins são destruídos, florestas queimadas, cidades bombardeadas. É tempo de perdoar Barrabás e condenar Jesus Cristo. Em tempo de guerra, descobrimos que os seres humanos são maus por natureza.
CULTURA DA GUERRA
A humanidade se divide em duas: a parte de que se serve do planeta e a que serve o planeta. Os primeiros praticam a violência para se manter ricos, promovem as guerras, acumulam, conjugam o verbo TER. São também chamados de direita. Assim criamos a sociedade de classe. A segunda parte é inclusiva, pratica a solidariedade, Conjuga o verbo SER. É chamada de esquerda.
CULTURA DA PAZ
O estabelecimento de uma cultura de paz e o desenvolvimento sustentável estão no cerne do mandato da Unesco, por isso o Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, não gosta da ONU (Organização das Nações Unidas), que propunha a paz após a segunda guerra mundial.
Cultura de paz entre as nações, mas também entre as pessoas, na família e nas cidades. Nas sociedades cada vez mais diversificadas de hoje, a cultura da paz continua cumprindo sua missão humanista fundamental de apoiar as pessoas a se entenderem e trabalharem juntas para construir uma paz duradoura.
A paz é mais do que a ausência de guerra; é conviver com nossas diferenças – de sexo, raça, língua, religião ou cultura – promovendo o respeito universal pela justiça e pelos direitos humanos. Quase nunca paz é bolso cheio de dinheiro, ter muito dinheiro exige violência e guerra; paz é viver, mas permitir que o outro viva também.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna (RJ)