Na tarde desta quarta-feira (1), a Câmara Municipal de Bauru realizou uma reunião pública para discutir a destinação dos resíduos da construção civil (RCC) no município. O encontro, proposto pelo vereador Marcelo Afonso (PSD), abordou o modelo de gestão atualmente conduzido pela Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten), além do funcionamento da usina de reciclagem recém-implantada. Participaram da reunião representantes do Executivo, entre eles as secretárias de Obras, Pérola Zanotto, e de Meio Ambiente e Bem-estar Animal, Cilene Bordezan, além de outros gestores municipais e vereadores.
Durante a abertura, Marcelo Afonso relembrou cobranças feitas ao longo de seu mandato sobre o tema e destacou que o objetivo do debate é alinhar as ações entre Prefeitura e Asten para garantir resultados mais efetivos à população. Atualmente, a Asten é responsável pela coleta, transporte e destinação final dos resíduos de construção civil na cidade. Um acordo firmado em 2024 estabelece que ao menos 40% do material reciclado deve ser destinado à Prefeitura, para uso em obras como pavimentação e manutenção de estradas rurais.
Apesar disso, vereadores relataram demandas recorrentes de bairros que ainda aguardam melhorias com o uso desse material. A usina de reciclagem está em funcionamento há cerca de 60 dias, segundo a entidade. Durante a reunião, parlamentares questionaram se os entraves estão na produção do material ou na retirada por parte da Prefeitura. Representantes da Asten afirmaram que há disponibilidade de material para uso e que relatórios periódicos permitem o controle da produção, embora não em tempo real. A entidade explicou que o início das operações foi impactado por fatores como chuvas e manutenção de equipamentos, o que resultou em acúmulo de resíduos ainda não processados. Segundo o presidente da associação, o sistema ainda passa por ajustes.
Por parte da Prefeitura, a Secretaria de Obras informou que está organizando um cronograma para retirada do material pelas pastas municipais. A Secretaria de Meio Ambiente já iniciou a utilização dos agregados reciclados. No entanto, o gerente de resíduos sólidos da pasta, Roldão Neto, apontou que o principal desafio está na qualidade do material produzido. Segundo ele, o RCC britado ainda não atende plenamente às necessidades de uso. A avaliação foi reforçada pelo secretário de Agricultura, Jorge Souza, que destacou a necessidade de material adequado para manutenção de estradas rurais.
Descarte irregular compromete qualidade
Outro ponto central do debate foi o descarte inadequado de resíduos nas caçambas. De acordo com os participantes, a presença de materiais impróprios — que não são resíduos de construção — compromete a qualidade do produto final reciclado. A responsabilidade, segundo discutido, é compartilhada entre geradores, transportadores e a própria operadora do sistema, cabendo ao poder público intensificar a fiscalização e promover campanhas de conscientização.
Durante a reunião, foram sugeridas medidas como aumento da fiscalização, aplicação de multas e maior rigor no recebimento dos resíduos, além de ações educativas voltadas aos profissionais do setor.
Ao final do encontro, a secretária de Meio Ambiente anunciou mudanças na política de recebimento de resíduos no aterro sanitário de Bauru, válidas a partir desta quarta-feira (1º). A medida visa adequar a gestão às diretrizes ambientais e à futura concessão dos serviços de resíduos sólidos.
Com a nova regra, o aterro deixará de receber materiais destinados ao aterramento, como resíduos verdes, volumosos e outros provenientes de atividades diversas que não estejam vinculadas à prestação de serviços públicos.
A pasta também informou que, após o período da Páscoa, será realizada uma operação de fiscalização intensiva das caçambas em toda a cidade.