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Professores anunciam paralisação em SP nos dias 9 e 10 de abril

da Redação
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A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) divulgou uma carta aberta à população anunciando paralisação das atividades nos dias 9 e 10 de abril, em protesto contra medidas adotadas pelo governo do Estado de São Paulo na área da educação e em outros serviços públicos. A entidade pede apoio da sociedade ao movimento e informa que realizará uma assembleia no dia 10, às 16h, no MASP, para definir os próximos passos da mobilização.

Segundo o sindicato, a greve ocorre em um momento considerado decisivo para o Estado e para o país. No documento, a diretoria da entidade critica o que classifica como um processo de desmonte dos serviços públicos, com destaque para a educação, além de questionar a política de privatizações conduzida pela gestão do governador Tarcísio de Freitas.

Entre os principais pontos levantados está a privatização da Sabesp, medida que, de acordo com a Apeoesp, transforma o acesso à água e ao saneamento básico em atividade voltada ao lucro. A entidade afirma que experiências semelhantes em outros países resultaram em aumento de tarifas e queda na qualidade da manutenção, cenário que, segundo o sindicato, começa a se repetir em São Paulo.

A carta também critica a ampliação do programa de privatizações para áreas como transporte, saúde, assistência social, sistema prisional e rodovias, além de apontar preocupação com a educação. O sindicato menciona que conseguiu barrar judicialmente a privatização de 33 escolas, mas afirma que o governo estadual segue avançando por meio da militarização das unidades de ensino.

Outro ponto de destaque é a redução do percentual mínimo do orçamento destinado à educação, que passou de 30% para 25%, após a aprovação da Emenda Constitucional 55/2024 (PEC 9/2023). Segundo a entidade, a mudança retirou cerca de R$ 11 bilhões da rede estadual de ensino, agravando problemas estruturais, como falta de manutenção nas escolas, excesso de plataformas digitais, aumento do tempo de exposição dos alunos às telas e impactos na aprendizagem.

A Apeoesp também faz críticas à proposta de reforma administrativa da educação enviada à Assembleia Legislativa, classificando o projeto como punitivo e excludente. Para o sindicato, as medidas previstas ampliam a pressão sobre os profissionais da área, facilitam transferências consideradas arbitrárias e comprometem a qualidade do ensino.

No texto, a entidade ainda chama atenção para o fechamento de classes no período noturno, a redução da oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a ausência de políticas adequadas para estudantes com deficiência e atípicos. A educação infantil em tempo integral também aparece como uma das principais reivindicações do movimento. O sindicato reforça o pedido de apoio popular e destaca que a mobilização busca a defesa da educação pública, dos serviços essenciais e dos direitos dos trabalhadores e da população.

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