OPINIÃO

O país continuará polarizado

Por Zarcillo Barbosa | O autor é jornalista
| Tempo de leitura: 3 min

Ratinho abandonou o barco. Anunciou não ser mais o candidato da "esquerda democrática", aquele que iria militarizar escolas e indultar os golpistas, e por primeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Se esse programa é de "esquerda", podemos pôr fé nos ovos do coelhinho.

A notícia frustrou os que esperavam uma "terceira via" para livrá-los de votar no menos pior. O país segue com uma política polarizada e sem resolver os problemas educacionais, de saúde e econômicos que todos prometem cuidar. Para quem pensa "chega de Lula", e acha que Bolsonaro só quer manter no poder o clã familiar, a terceira opção virou "decepção".

Ratinho Junior vinha caindo nas pesquisas de intenção de votos, de 12% para 7% nos últimos três meses. Também ameaçava atrapalhar Flávio Bolsonaro na obtenção de votos no Paraná. O filho do apresentador Ratinho é um ótimo cabo eleitoral, ao deter 80% de aprovação dos seus conterrâneos como governador. Se candidato à Presidência, no seu Estado não sobrariam votos para o filho do Jair.

Flávio percebeu a encrenca. Desde o dia da sua unção pelo pai, ofereceu ao paranaense a vice Presidência na chapa. Com a recusa, o 01, rápido no gatilho, lançou Sérgio Moro como candidato a governador do Paraná pelo PL. Uma enorme pedra no caminho à eleição do sucessor de Ratinho. Moro ainda guarda muito do prestígio conquistado no tempo da Lava Jato, como juiz em Curitiba.

Em resumo: Ratinho vai ficar no seu Estado para cuidar do que é dele. É lá que a família tem fazendas e dezenas de emissoras de rádio e tevê. Vai tratar de fortalecer o seu candidato e continuar dando as cartas na Província. Para ele, é preciso ser pragmático. "Vice é vice" - Jô Soares cansou de alertar.

Pode ser também que o caso Master tenha influído na decisão. A delação do ex-banqueiro Vorcaro vai implicar muita gente. Ratinho, o pai, foi sócio dos irmãos Toffoli no Resort Tayayá. A oposição, no Paraná, cobra do governo Ratinho os resultados negativos da venda da distribuidora de energia Copel ao empresário Nelson Tanure, parceiro de Daniel Vorcaro. A venda da Copel está pesando na conta de luz das famílias.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), avalia os nomes da senadora Tereza Cristina, representante do agronegócio, ou de Romeu Zema (Novo), agora ex-governador de Minas Gerais. Zema, como vice na chapa bolsonarista, pode agregar mais votos no segundo colégio eleitoral do país, onde Flávio busca tirar votos de Lula.

Gilberto Kassab, que arquitetou o projeto presidencial do PSD, agora terá que decidir-se entre Ronaldo Caiado, de Goiás e Eduardo Leite, governador gaúcho, ambos comendo poeira nas pesquisas. A escolha de Sofia. Caiado correu ao encontro de Kassab e filiou-se ao PSD. Leite disse que está "com energia e disposição e quer muito ajudar o país". O presidente do partido, Gilberto Kassab, é considerado um gênio da política. Estaria mais para equilibrista, segundo alguns. Conseguiu a proeza de ser secretário de Tarcísio de Freitas e de indicar membros para os ministérios de Lula. Quarta-feira anunciou ter deixado a gestão do govenador paulista para ungir o seu candidato, mas já liberou governadores e prefeitos do seu partido a apoiarem Flávio se assim desejarem, ou a reeleição de Lula.

Observadores políticos analisam que o candidato do PSD à Presidência da República corre o risco de "cristianização". O termo, do vocabulário político brasileiro descreve o abandono de um candidato do seu próprio partido. O "cristianizado" é isolado, fica sem apoio financeiro e político porque "a candidatura não decolou" e os correligionários debandam para apoiar os rivais. O verbete, incorporado aos dicionários, surgiu em 1950 quando Cristiano Machado, candidato à Presidência pelo PSD, foi abandonado pelo partido que decidiu apoiar Getúlio Vargas. Em política, mas vale duas abelhas voando do que uma na mão.

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