DESPEDIDA

D. Lindinha Franciscato: vida dedicada à família e causas sociais

da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo de família
Dona Lindinha Franciscato: discrição, família e ações solidárias
Dona Lindinha Franciscato: discrição, família e ações solidárias

Maria Deolinda Barosa Franciscato, a Dona Lindinha, que morreu na última terça-feira (24), aos 94 anos, deixa um legado marcado pela discrição, dedicação à família e compromisso com ações solidárias em Bauru. Casada por 70 anos, era viúva do engenheiro Alcides Franciscato, ex-Prefeito, ex-Deputado Federal, ex-presidente dos Grupos Prata e Cidade, uma das personalidades mais influentes de Bauru e região por décadas.

A cerimônia de despedida ocorreu na última terça-feira (24/3), no Jardim dos Lírios, reunindo familiares, amigos e representantes da comunidade.

Dona Lindinha esteve ao lado do marido em momentos decisivos da vida política, empresarial e comunitária do município. Ela deixa os filhos Sonia, Cláudia, Alcides Júnior e Ângelo Carlos (in memoriam).

Assídua leitora e incentivadora do Jornal da Cidade, para além do papel de esposa e mãe dedicada, Dona Lindinha construiu uma identidade também no campo social. Uma das marcas mais fortes de sua atuação em prol da comunidade foi junto ao CIPS - Consórcio Intermunicipal da Promoção Social, entidade tradicional de Bauru voltada ao atendimento e educação para o trabalho de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. Popularmente conhecido como "Reco-Reco", o CIPS foi Idealizado por Alcides Franciscato e Roberto Previdello, com o objetivo de oferecer formação, oportunidades e proteção social a jovens da cidade.

É nesse contexto que Dona Lindinha se destacou como benemérita e apoiadora constante da entidade. Sua atuação foi reconhecida internamente como essencial para a manutenção de projetos sociais e para o fortalecimento da rede de solidariedade que sustenta o CIPS até hoje.

Seu envolvimento representa um traço característico de uma geração de mulheres que, mesmo fora dos cargos institucionais, tiveram papel decisivo na sustentação de iniciativas sociais e filantrópicas. Dona Lindinha mantinha uma presença ativa em eventos beneficentes e iniciativas humanitárias, sempre com perfil discreto, mas constante.

Era o tipo de liderança silenciosa e inspiradora — aquela que não aparece nos discursos, mas está presente na organização, no apoio e no incentivo às ações sociais. Sua atuação ajudou a consolidar redes de solidariedade que atravessaram décadas em Bauru.

AMIGOS SE MANIFESTAM

José Carlos Augusto Fernandes, ex-diretor do CIPS e ex-secretário de Bem-Estar Social de Bauru, relembra o papel social de Dona Lindinha. "Ela foi uma das grandes referências da assistência social em Bauru, dedicando sua vida a ajudar quem mais precisava. Atuante desde o início da administração Franciscato, se destacou pela mobilização da comunidade, organizando campanhas de arrecadação, especialmente de cestas de Natal para o CIPS, envolvendo comércio, empresas e a sociedade. Com forte presença no CIPS e papel fundamental na consolidação da Casa do Pequeno Trabalhador, tornou-se uma espécie de 'mãe' para centenas de crianças atendidas, acompanhando de perto suas atividades e garantindo recursos para seu desenvolvimento. Mesmo após o período político, manteve seu trabalho de forma independente, promovendo bazares, apoiando entidades e assegurando assistência a famílias carentes. Eu só tenho a agradecer a ajuda que ela deu a todas essas crianças e famílias."

Outra pessoa que conviveu com Dona Lindinha é o professor Jair Sanches Gimenez, ex-secretário de Educação. "Na despedida da Dona Lindinha, ficou muito forte a emoção de todos nós que estávamos presentes. Conheci e trabalhei com ela lá atrás, em 1965, quando nós ainda fazíamos os bazares da Pechincha, porque era a única renda, a única forma de recolher algum recurso para atendimento aos necessitados da cidade. E nos marcou muito, porque o que ela ensinou não foi falando, foi fazendo, porque ela sempre fez em primeiro lugar aquilo que faria, que desejava que acontecesse, ela estava sempre à frente de todas as suas atividades. Por isso, ela marcou a todos nós. E esse foi o legado que a Dona Lindinha deixou para todos nós, para sua família, para todos nós amigos, conhecidos, parentes. Mesmo quem estava muito distante dela há muito tempo, sempre tinha e sempre recebia um sinal de que ela estava bem e que mandava sempre um abraço. Por isso, ela vai ficar na história de Bauru e na história de tanta gente com quem trabalhou. A nossa homenagem a ela. Enquanto no céu cantam por estarem recebendo a Dona Lindinha, aqui na terra nós sentimos saudade, e quanto mais passar esse dia 24 de março, mais saudade nós vamos sentir. Que ela esteja bem".

A amiga Heloísa Kawaguti se refere carinhosamente a Dona Lindinha como a eterna primeira-dama de Bauru, por sua vida de doação, gentileza e amor.

LEGADO PARA GERAÇÕES

Ao partir, Dona Lindinha deixa não apenas uma família numerosa — com filhos, netos e bisnetos — mas também um legado à formação humana e à responsabilidade social. Num tempo em que o protagonismo público nem sempre era acessível às mulheres, ela exerceu influência de forma contínua e transformadora, ajudando a construir, nos bastidores, uma cidade mais solidária.

Na foto à esquerda, D. Lindinha apresentando o Projeto CIPS à poetisa Cora Coralina, ao lado de Roberto Previdello, Suzana Lara e abnegadas senhoras do voluntariado bauruense.
Na foto à esquerda, D. Lindinha apresentando o Projeto CIPS à poetisa Cora Coralina, ao lado de Roberto Previdello, Suzana Lara e abnegadas senhoras do voluntariado bauruense.
Homenagem do CIPS ao casal Lindinha e Alcides Franciscato, na Câmara Municipal de Bauru, em 1988
Homenagem do CIPS ao casal Lindinha e Alcides Franciscato, na Câmara Municipal de Bauru, em 1988

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