Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que um programa estruturado de estimulação cognitiva realizado ao longo de 18 meses com idosos brasileiros saudáveis pode melhorar a memória, a fluência verbal e as funções executivas, além de reduzir queixas cognitivas e sintomas depressivos.
Os resultados indicam que atividades mentais regulares e organizadas podem ajudar a prevenir o declínio cognitivo associado ao envelhecimento e promover maior qualidade de vida.
Os participantes realizaram exercícios de cálculo com ábaco, atividades de papel e lápis para trabalhar memória, linguagem e raciocínio, além de jogos de tabuleiro e dinâmicas em grupo, que estimulam planejamento, interação e participação.
O treinamento também incluía exercícios em uma plataforma online, que podiam ser feitos em casa para reforçar o estímulo cognitivo.
A gerontóloga Thaís Bento Lima da Silva, uma das autoras do estudo e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), explica que a estimulação cognitiva reúne atividades que desafiam diferentes funções do cérebro, como memória, atenção, linguagem e raciocínio.
Segundo ela, os ganhos observados no estudo estão ligados à capacidade de adaptação do cérebro aos estímulos.
SEMPRE É TEMPO
A pesquisadora acrescenta que esse tipo de prática pode ser iniciada em qualquer fase da vida e faz parte das estratégias de promoção do envelhecimento saudável recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O estudo clínico randomizado, publicado em janeiro na revista International Psychogeriatrics, comparou os resultados entre três grupos de idosos em um total de 207 participantes.
Em pesquisas desse tipo, os voluntários são distribuídos de forma aleatória entre os grupos, o que ajuda a reduzir vieses e torna a comparação dos resultados mais confiável.
Um dos grupos participou do treinamento de estimulação cognitiva, enquanto o grupo controle ativo recebeu encontros de educação em saúde e envelhecimento saudável, com discussões e materiais informativos.
Já o grupo controle passivo não participou de nenhuma atividade durante o estudo e foi apenas avaliado pelos pesquisadores, servindo como base de comparação para medir os efeitos do programa.