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IML abandonado em Bauru expõe dados sigilosos de autópsia e mais

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Priscila Medeiros
Mesas de autópsias e documentos abandonados no prédio
Mesas de autópsias e documentos abandonados no prédio

O prédio que abrigava o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, desativado desde novembro após a transferência para uma nova sede, está abandonado e foi alvo de vandalismo. Além da depredação, a situação levanta preocupação pela exposição de documentos sigilosos de pessoas como laudos periciais, prontuários médicos, nome, número de RG e endereço, que deveriam estar protegidos por lei.

Localizado na rua Paschoal Luciano, esquina com a Avenida Nações Unidas, em frente ao Terminal Rodoviário, o antigo prédio do IML permanece vazio e sem qualquer tipo de vigilância. Com os portões abertos, o acesso ao interior é facilitado, o que tem contribuído para a ação de vândalos. No local, é possível constatar a retirada de portas e janelas, além de vidros quebrados e diversos materiais espalhados pelo chão em praticamente todos os ambientes. O cenário evidencia deterioração acelerada do imóvel e possível furto de estruturas.

No entanto, o aspecto mais grave da situação é a presença de documentos com informações privadas e públicas abandonados no interior do prédio. Entre os materiais encontrados estão boletins de ocorrência, laudos periciais e prontuários médicos de cadáveres submetidos a autópsias. Esses registros contêm informações sigilosas que, por norma, devem ser mantidas sob rigorosa proteção.

De acordo com o Código de Ética Médica e normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), esse tipo de documentação deve ser armazenado por, no mínimo, 20 anos. Como os arquivos ainda estão dentro desse prazo, a exposição representa violação de sigilo e risco à privacidade das informações.

Além dos documentos, equipamentos ainda permanecem no imóvel. Na antiga sala de autópsia, três mesas de necropsia seguem em bom estado, assim como macacões e máscaras descartáveis utilizados nos procedimentos, que foram deixados espalhados. Em outro ambiente, há uma maca utilizada para transporte de cadáveres, também acompanhado de mais documentos.

Na câmara fria (espaço destinado à conservação de corpos antes de identificação, autópsia ou sepultamento) ainda há estruturas como suporte para maca móvel. Segundo constatado, muitos desses equipamentos aparentam estar em condições de uso, o que reforça questionamentos sobre o aproveitamento de recursos públicos. A nova sede do IML foi instalada na Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, em uma estrutura mais moderna e ampla, situada entre o Hospital Estadual e o 4.º Batalhão de Caçadores. Apesar da mudança, o antigo prédio segue sem destinação definida, acumulando prejuízos materiais e riscos legais.

A  situação evidencia possível negligência na gestão do patrimônio público e no tratamento de informações sensíveis, o que pode resultar em responsabilização dos órgãos competentes.

Questionada a respeito da situação, a Secretaria de Segurança Pública, informou por meio de nota, que “O Instituto Médico Legal está realizando uma força-tarefa para a remoção de materiais que estão no local. Após a conclusão dos trabalhos, o imóvel será entregue à seccional responsável pela região. Paralelo a isso, está em fase de análise o projeto para a demolição do prédio”.

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