COLUNISTA

Empoderamento feminino: escudo ou cetro?

Por Hugo Evandro Silveira |
| Tempo de leitura: 4 min
Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril

No ultimo domingo 8 celebramos o Dia da Mulher. Quando o assunto é mulher, poucas palavras têm tanta força quanto empoderamento, termo que virou bandeira e por isso pede discernimento, pois nas mãos certas ele protege a dignidade, serve de escudo e denuncia abusos, mas nas mãos erradas ele vira vaidade, trono, cetro. O cristão não o trata como mantra cultural e sim como ideia a ser examinada, perguntando se esse "poder" serve ao bem da mulher ou apenas alimenta o trono do eu.

Para a cultura contemporânea empoderar costuma significar ocupar espaços e impor voz, como se grandeza pudesse ser medida pelo volume da autoafirmação, porém as Escrituras nos lembram que a elevação não nasce do grito mais alto, nasce de uma vida mais alta, porque Deus não mede força pelo barulho e sim pelo peso do caráter, e não oferece um trono para o ego, oferece sabedoria para a alma e virtude para reconstruir aquilo que o pecado distorceu.

Se empoderamento significa honrar a mulher como imagem de Deus então estamos em terreno bíblico, pois em Gênesis a mulher surge como obra intencional do Criador e não como acidente da história, e homem e mulher carregam o mesmo selo do Imago Dei e recebem juntos o mandato de administrar a Criação de Deus, por isso não existe espaço para desprezo nem justificativa para abuso, e qualquer teologia que diminui a mulher trai o texto que afirma que ela foi amada e honrada por Deus, e ao falar de respeito, proteção e valor, a Bíblia dá o fundamento, afirmando que a mulher deve ser tratada com honra e reconhecida como coerdeira da graça.

Mas existe um segundo uso do termo e aqui a lâmina corta para o lado errado, pois há um "empoderamento" que não busca dignidade, busca divindade própria, redefine liberdade como autonomia absoluta e ensina a criatura a dizer "eu decido tudo", transformando relações em disputa e pintando o lar e a sociedade como arenas de poder, até que a ordem bíblica vire opressão e a submissão vire caricatura e então o empoderamento deixa de ser escudo e vira bandeira de rebelião com um cetro nas mãos.

Para entender onde o fio se rompe precisamos voltar ao projeto do Arquiteto e encarar um princípio que o nosso tempo tenta dissolver, a igualdade de essência jamais significou identidade de funções, porque no Éden Adão recebe a tarefa de cultivar e guardar como responsabilidade, e em seguida a mulher é criada como "auxiliadora idônea": "expressão que significa socorro forte e cooperação indispensável", termo usado na literatura bíblica até mesmo para se referir ao próprio Deus quando este se apresenta como auxílio do seu povo, de modo que ser auxiliadora não é ser menor, é ser essencial, e por isso Adão a reconhece ao dizer "osso dos meus ossos", confessando a mesma natureza em forma complementar.

A entrada do pecado no jardim baseou-se em uma falsa promessa de autonomia. A estratégia foi simples: questionar a confiabilidade de Deus para que o ser humano buscasse o autogoverno. O resultado não foi o progresso, mas a ruptura e a vergonha. A desordem afetou a relação entre o casal: a omissão masculina e a competição feminina substituíram a parceria original. Isso deixou claro que o 'empoderamento' baseado na rebeldia contra o Criador é uma ilusão que em vez de elevar o ser humano, escraviza-o ao seu próprio ego.

Mas o evangelho não veio apagar a criação, veio curá-la por dentro, porque Jesus crucifica o ego que distorce e, chama o homem a amar como Cristo amou a igreja: "Liderando por servir e entregando a própria vida". E convoca a mulher a um respeito que não é apagamento e sim fé aplicada, de modo que o lar deixa de ser ringue e a sociedade deixa de ser palco quando o respeito e o amor substitui a disputa; por isso março deve nos lembrar duas tarefas inseparáveis, honrar e proteger as mulheres e, rejeitar o convite da serpente: "Autonomia empoderada" - porque o evangelho não anuncia "mais poder para mim", anuncia "mais de Cristo em mim", e quando Jesus reina a competição morre e o serviço nasce, e no Reino de Deus grandeza nunca foi dominar o outro, mas amar carregando a cruz.

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