A rede municipal de ensino de Campinas tem atualmente 230 estudantes imigrantes matriculados na educação infantil e no ensino fundamental, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação de Campinas. Os alunos nasceram em 29 países distribuídos entre América, Ásia, África e Europa.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
Os maiores grupos são formados por estudantes da Venezuela, Colômbia e Haiti, que juntos somam 140 alunos, o equivalente a 60,8% do total. Entre os venezuelanos, por exemplo, são 97 estudantes, sendo 55 na educação infantil e 42 no ensino fundamental. Os colombianos somam 26 alunos e os haitianos, 17.
A presença de estudantes estrangeiros reflete o aumento do fluxo migratório para a cidade e amplia a diversidade cultural dentro das escolas. Muitas dessas famílias deixaram os países de origem por causa de crises econômicas, políticas e humanitárias, em busca de segurança, trabalho e melhores condições de vida.
Para a secretária municipal de Educação, Patrícia Adolf Lutz, o município tem se tornado destino frequente para famílias que chegam ao Brasil. “Fatores como qualidade de vida e desenvolvimento econômico tornam Campinas uma cidade atrativa. E a nossa rede de ensino é muito cuidadosa e acolhedora com a diversidade, o que torna um pouco mais confortável esse processo de adaptação para as famílias que chegam ao Brasil”, afirmou.
Os números variam de ano para ano. Em 2025, a rede municipal registrava 254 estudantes imigrantes, enquanto em 2024 eram 210 e, em 2021, 204.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados a partir do Censo 2022, indicam que Campinas tinha cerca de 3,1 mil imigrantes naquele ano. Os principais países de origem eram Estados Unidos e Haiti.
Diversidade nas salas de aula
Nas escolas municipais, a presença de estudantes estrangeiros já faz parte da rotina. Na EMEF/EJA Padre José Narciso Ehrenberg, no Jardim São Marcos, a diversidade cultural se tornou comum no cotidiano da comunidade escolar.
A venezuelana Rosiber Martinez, de 13 anos, vive em Campinas desde julho do ano passado. A família deixou a cidade de El Tigre em 2019, passou por Manaus antes de chegar ao interior paulista e hoje se adapta à nova rotina escolar.
“Me acolheram muito bem. O pessoal da sala e a direção foram super gentis, me ensinaram como me adaptar. Viemos por causa da situação econômica de lá, para ter um futuro melhor. Um dia pretendo voltar para o meu país, mas gosto muito de Campinas”, afirmou.
Entre os lugares que mais gosta de visitar está a Parque Portugal (Lagoa do Taquaral), onde costuma passear com os pais e as irmãs. No futuro, ela pretende seguir carreira no direito. “Senso de justiça, defender o que é certo”, disse.
O haitiano Renald Edouarzin, também de 13 anos, chegou ao Brasil há cerca de um ano e mora com a mãe, o padrasto e a irmã. Ele diz que se interessou rapidamente pelo futebol brasileiro.
“Gosto do Corinthians e quero ser jogador. Aqui tem pão de queijo e comidas que lá só ricos têm acesso, como a pizza”, contou o adolescente, que antes vivia em Porto Príncipe.
Outra estudante haitiana, Marie Louistal, de 14 anos, afirma que a família decidiu deixar o país por causa da falta de segurança. Ela conta que gosta de passear pelo comércio do Centro da cidade e sonha em trabalhar na área da saúde.
“Quero ser médica para ajudar as pessoas”, disse.
A diretora da escola, Márcia Cavati, explica que o idioma ainda é um desafio inicial para muitos estudantes, especialmente os que chegam falando crioulo haitiano. Para ajudar na comunicação, professores recorrem a ferramentas de tradução e estratégias pedagógicas adaptadas.
Segundo ela, o convívio multicultural também traz ganhos para toda a comunidade escolar. “Ao mesmo tempo em que é desafiador, por conta do idioma quando eles chegam, é muito enriquecedor culturalmente”, avaliou.