Os dados mais recentes do PIB confirmam aquilo que já vinha sendo percebido ao longo de 2025: a economia brasileira perdeu fôlego. Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto cresceu 2,3% no acumulado do ano, um resultado positivo, mas significativamente inferior aos 3,4% registrados em 2024, evidenciando um processo claro de desaceleração. Mais preocupante, contudo, é a composição desse crescimento. A economia praticamente andou de lado no segundo semestre, e o quarto trimestre de 2025 registrou avanço de apenas 0,1% na comparação com o trimestre anterior, um desempenho que beira a estagnação e expõe a fragilidade da demanda interna.
O retrato do último trimestre é especialmente revelador. Setores mais sensíveis ao crédito e aos juros elevados, como comércio e construção civil, perderam tração, enquanto o consumo das famílias mostrou estagnação. Ainda que o PIB tenha sido sustentado por um desempenho excepcional da agropecuária e da indústria extrativa ao longo do ano, esses vetores não conseguem mascarar o enfraquecimento do núcleo da economia urbana e do mercado interno. Sem o impulso do campo e das commodities, o crescimento de 2025 teria sido substancialmente menor, evidenciando uma economia de duas velocidades.
Outro dado que acende um sinal amarelo para o futuro é o comportamento dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo recuou 3,5% no quarto trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o pior resultado desde 2021. Embora no acumulado do ano os investimentos ainda tenham crescido 2,9%, a taxa de investimento caiu de 16,9% para 16,8% do PIB, mantendo o Brasil em um patamar insuficiente para sustentar um crescimento mais robusto e duradouro. Menos investimento hoje significa menor capacidade produtiva amanhã, com reflexos diretos sobre produtividade, renda e emprego nos próximos anos.
Como se o cenário doméstico já não fosse desafiador, o ambiente externo adiciona novas camadas de incerteza. A escalada do conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã eleva o grau de risco global e tende a produzir impactos, ainda que de curta duração, sobre preços de energia, fluxos financeiros e expectativas. Tensões no Oriente Médio tradicionalmente pressionam o preço do petróleo, com reflexos diretos sobre a inflação e os custos logísticos, além de aumentar a aversão ao risco nos mercados internacionais. Para economias emergentes como a brasileira, isso pode significar volatilidade cambial, encarecimento do crédito externo e maior cautela por parte dos investidores, mesmo que o choque não se prolongue ao longo do ano 6.
Olhando para 2026, o cenário inspira cautela redobrada. As projeções do mercado indicam crescimento em torno de 1,8%, abaixo do desempenho recente, refletindo um ambiente ainda marcado por elevado endividamento público, inflação resiliente e uma trajetória de queda dos juros que tende a ser lenta e gradual. Em um ano eleitoral, essa combinação é particularmente delicada. A pressão por estímulos fiscais e medidas de curto prazo pode colidir com a necessidade de responsabilidade macroeconômica, ampliando a incerteza e inibindo ainda mais o investimento privado. O risco não é apenas crescer menos, mas repetir um padrão conhecido da economia brasileira: trocar ajustes estruturais por soluções imediatistas, comprometendo o crescimento sustentável no médio prazo 78.