HISTÓRIA

Você conhece o Museu a céu aberto de Bauru?

Por Priscilla Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Priscila Medeiros
Para conhecer a história do prédio, é só escanear o QRCode
Para conhecer a história do prédio, é só escanear o QRCode

Muitas pessoas nem imaginam que Bauru possui um Museu a Céu Aberto nas ruas da área central. Com ele, a história de Bauru não está apenas guardada em arquivos ou prédios históricos. Ela também pode ser acessada durante um passeio pelo Centro, enquanto se faz compras ou se espera alguém no calçadão.

Essa é a proposta do projeto Museu a Céu Aberto, idealizada pelo Museu Histórico Municipal, que convida a população a redescobrir a cidade por meio de QR Codes espalhados em locais tombados ou de relevância histórica para a cidade.

O projeto nasceu a partir de uma experiência anterior, criada durante a pandemia, quando o isolamento social exigiu novas formas de acesso à cultura. Na época, foi desenvolvido o "Bauru de Ontem e Hoje", dentro da iniciativa "Museus em Casa", que propunha a sobreposição de imagens antigas e atuais da cidade, permitindo reflexões sobre as transformações urbanas.

Segundo a gerente de Museus e Memória da Secretaria Municipal de Cultura, Fabiana Rocha, a proposta evoluiu a partir dessa experiência. "Com o Museu Ferroviário fechado e o Museu Histórico em restauro, pensamos: por que não levar o museu para além dos muros? A ideia foi colocar a história nas ruas, acessível a qualquer pessoa, de forma simples e dinâmica", explica.

Inspirado em iniciativas vistas em cidades como Curitiba, onde prédios tombados contam com identificação por QR Code, o projeto foi adaptado à realidade local. Em Bauru, porém, a proposta vai além dos imóveis oficialmente tombados: inclui também locais que passaram por alterações urbanísticas marcantes ou que tenham relevância histórica e simbólica.

A reflexão é parte essencial da proposta. "Não é uma visão saudosista", destaca Fabiana. "Queremos provocar o pensamento: a cidade era assim. E agora? A mudança foi positiva? Tornou o ambiente mais gentil ou mais hostil?"

HISTORIA AO ALCANCE DO CELULAR

Os adesivos com QR Code funcionam como pequenas "pílulas" de conhecimento. Ao apontar a câmera do celular, o visitante acessa textos curtos, imagens antigas, vídeos e documentos históricos. Tudo pensado para dialogar com a dinâmica atual, em que a informação precisa ser rápida e acessível.

O circuito é autônomo: não há ponto de partida obrigatório. A pessoa pode descobrir um local hoje, outro na semana seguinte. A maioria dos pontos está concentrada no Centro, permitindo que a visita aconteça no ritmo do cotidiano. Basta observar os prédios para encontrar os adesivos.

Além disso, o projeto também atende grupos escolares e universitários mediante agendamento pelo e-mail museuhistoricobauru@gmail.com. O mapa do circuito pode ser acessado pelo site: https://www.projetomuseuferroviario.com.br/exposicao-museu-ceu-aberto/

MUITO ALÉM DOS PRÉDIOS TOMBADOS

Um dos diferenciais do Museu a Céu Aberto é justamente ampliar o olhar sobre o patrimônio. Não se trata apenas de edifícios históricos, mas de lugares que marcaram a memória coletiva (como antigos cinemas, sedes de jornais, instituições culturais e pontos que passaram por transformações significativas ao longo do tempo.

Entre os 27 locais participantes estão o Museu Ferroviário Regional de Bauru, o Automóvel Clube de Bauru, a Pinacoteca Municipal de Bauru - Casa Ponce Paz, Antiga Companhia Telefônica, Palacete Pagani, Cine Brasil, entre outros prédios e espaços que ajudam a contar a trajetória do município.

Em 2024, o circuito foi ampliado com quatro pontos ligados à passagem de Pelé por Bauru, reforçando a valorização de personalidades que marcaram a história local.

De acordo com o agente cultural da Secretaria de Cultura e historiador, Alex Sanches, um aspecto relevante do projeto é o rigor historiográfico. "A equipe do museu realiza pesquisas em documentos oficiais, fontes orais e arquivos para confrontar versões consolidadas ao longo do tempo", destaca.

"Muitas histórias foram contadas por memorialistas e acabaram sendo repetidas sem questionamento. Nosso trabalho é cruzar documentos, verificar fontes e enriquecer essas narrativas com base histórica", explica Fabiana.

Temas como a origem do nome Bauru, a mudança da sede do município e até curiosidades como a história do sanduíche Bauru são exemplos de como a memória pode ganhar novas interpretações quando analisada com critérios acadêmicos.

PROJETO ORGÂNICO E EM EXPANSÃO

Os adesivos têm caráter temporário e podem ser substituídos ou realocados conforme a necessidade. A ideia, no futuro, é ampliar o formato, inclusive com placas ou azulejos mais permanentes.

Com o passar do tempo alguns adesivos não existem mais, seja por se descolar do local aplicado ou retirado para uma pintura, por exemplo. A substituição será feita nos próximos dias", informou Luiz Henrique Carneiro, um dos técnicos envolvido no projeto.

O Museu a Céu Aberto é uma realização da Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural (DPPC) e do Museu Histórico Municipal.

Mais do que informar, o projeto busca fortalecer o sentimento de pertencimento. Ao reconhecer a história no espaço onde vive, a comunidade se torna protagonista da própria memória. Como resume a proposta da exposição: museus não são feitos de muros. São feitos de caminhos.

 Alunos durante visita guiada ao projeto
Alunos durante visita guiada ao projeto
Prédio onde era localizada a Photo Giaxa, um dos pioneiros da fotografia na cidade
Prédio onde era localizada a Photo Giaxa, um dos pioneiros da fotografia na cidade
Prédio da antiga  Telefônica, na rua Primeiro de Agosto.
Prédio da antiga Telefônica, na rua Primeiro de Agosto.
Técnicos da Secretaria de Cultura, Alex Sanches, Douglas Ruzzon e Luiz Carneiro mostram o adesivo no prédio da  antiga Telefônica, na rua Primeiro de Agosto.
Técnicos da Secretaria de Cultura, Alex Sanches, Douglas Ruzzon e Luiz Carneiro mostram o adesivo no prédio da antiga Telefônica, na rua Primeiro de Agosto.

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