Renan Santos é um dos principais nomes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ganhou projeção nacional a partir de 2014, durante as manifestações que expuseram o esgotamento do projeto petista no poder. Desde então, Renan se consolidou como o estrategista central do movimento, o responsável por formular decisões, definir confrontos e sustentar uma linha política que se recusa a agradar o sistema.
Ao contrário de lideranças que vivem de palco e manchete, Renan construiu poder nos bastidores. Foi ele quem transformou o MBL de um grupo difuso de protesto em uma máquina política organizada, disciplinada e profissional, com domínio de comunicação digital, capacidade de mobilização de rua e forte aceitação entre jovens. Seu discurso é abertamente hostil ao Estado ineficiente e frontalmente contrário a qualquer forma de autoritarismo, seja travestido de esquerda social, seja embalado pelo populismo da direita.
Renan teve papel decisivo no impeachment de Dilma Rousseff, mas nunca se limitou ao antipetismo. Durante o governo Jair Bolsonaro, foi um dos primeiros a romper publicamente com o bolsonarismo, acusando Bolsonaro de ser apenas mais um político do centrão, covarde institucionalmente e disposto a enterrar suas próprias pautas para preservar o poder e proteger interesses familiares. Para Renan, Bolsonaro traiu o discurso anticorrupção, abandonou a agenda liberal e optou por negociar com o que há de mais atrasado na política brasileira. Essa ruptura transformou o MBL em alvo simultâneo da militância lulista e do bolsonarismo radicalizado.
Sob a liderança de Renan Santos, o MBL radicalizou no conteúdo, não no método. Hoje, o movimento se coloca como o único ator político organizado disposto a enfrentar sem eufemismos o colapso do Estado brasileiro. Defende guerra política e institucional total contra o crime organizado, o fim da leniência estatal com facções, a retirada de direitos políticos de gestores comprovadamente incompetentes ou corruptos e a adoção de medidas excepcionais, como a transformação de estados falidos em territórios sob intervenção federal. Para o MBL, há regiões do país destruídas por décadas de irresponsabilidade administrativa, onde governadores e elites locais perderam qualquer legitimidade moral para comandar.
Nos últimos anos, Renan passou a sustentar que o eixo Lula x Bolsonaro não é solução, mas parte do problema. Liderou a criação do partido Missão como tentativa de romper definitivamente com a falsa polarização e construir uma força política capaz de disputar poder real, impor agenda e formar lideranças preparadas para governar, não para lacrar.
Amado por apoiadores e odiado por adversários, Renan Santos não busca consenso. Sua trajetória representa uma ruptura geracional com a política acomodada, fisiológica e covarde. Em um país acostumado a líderes que escolhem lados confortáveis, Renan escolheu o conflito. E, gostando ou não, se tornou um dos personagens mais incômodos e influentes do debate político brasileiro contemporâneo.