COLUNISTA

A lei que liberta o coração e conduz à vida


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À primeira vista, a palavra "Lei" pode soar pesada aos ouvidos do homem contemporâneo. Muitos a associam à limitação, à repressão, à perda da liberdade. No entanto, a Sagrada Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, revela-nos uma verdade mais profunda e consoladora: a Lei de Deus não é um fardo, mas um dom; não é fonte de tristeza, mas caminho de vida, de liberdade e de alegria verdadeira.

Na liturgia deste 6º Domingo do Tempo Comum, a primeira leitura, extraída do Livro do Eclesiástico (Eclo 15,16-21), coloca diante de nós uma imagem forte e realista da condição humana: "Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão". Deus respeita profundamente a liberdade do ser humano. Não nos força ao bem, mas nos indica o caminho que conduz à vida. Os mandamentos não são imposições arbitrárias; são sinais luminosos colocados ao longo da estrada para que não nos percamos na escuridão da tristeza, do pecado e da morte interior. Na segunda leitura (cf. 1Cor 2,6-10) São Paulo fala da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida agora revelada na cruz de Cristo. Deus quis desde toda eternidade que seu Filho Unigênito assumisse a nossa carne humana, morresse por nós na cruz e ressuscitasse dos mortos. Tudo isso em vista da nossa glória e nossa salvação. Este plano maravilhoso foi-nos revelado pelo Espírito de Deus.

A Lei, como canta o salmista, é fonte de felicidade: "Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo". [Sl 118 (119)]. Progredir na Lei do Senhor é crescer em humanidade, é aprender a amar melhor, é libertar o coração daquilo que o escraviza. Quando o homem se afasta dos mandamentos, não se torna mais livre; ao contrário, cai prisioneiro de seus próprios impulsos, medos e ilusões, experimentando muitas vezes um vazio profundo e silencioso.

No Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus aprofunda ainda mais essa compreensão. Ele afirma com clareza: "Não vim abolir a Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento". Cristo não elimina a Lei; Ele a leva ao seu sentido mais pleno, ao seu núcleo mais verdadeiro, que é o amor. Não se trata apenas de evitar o mal exteriormente, mas de permitir que o coração seja transformado. A justiça do Reino é maior porque nasce de dentro, da reconciliação, da verdade, da pureza de intenção e da palavra honesta.

Quando Jesus fala da ira, do adultério, do juramento ou da reconciliação, Ele nos convida a perceber que a Lei de Deus quer salvar o homem por inteiro. Deus deseja libertar-nos não só de atos errados, mas também da dureza do coração, das palavras que ferem, dos olhares que desumanizam, das relações quebradas que geram sofrimento. Cada mandamento é, na verdade, uma mão estendida de Deus que nos impede de cair no abismo da tristeza e da divisão.

Assim, a Lei de Deus vivida e reinterpretada à luz de Cristo, revela-se como pedagogia divina do amor. Ela nos educa para a vida plena, para a comunhão, para a paz interior. Seguir os mandamentos não é perder algo, mas ganhar sentido; não é renunciar à alegria, mas encontrá-la em sua forma mais duradoura.

Que saibamos, como discípulos e discípulas, acolher os mandamentos do Senhor não com medo, mas com gratidão. Neles, Deus continua a nos dizer: escolhe a vida, escolhe o bem, escolhe o caminho que liberta o coração e conduz à verdadeira felicidade.

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