CARNAVAL

Histórias que as escolas de samba vão contar na avenida em Bauru

Por Cássia Peres | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Laylla Paes/Arquivo JC
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Coroa Imperial: Silvia Regina e Diego, em 2023
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Coroa Imperial: Silvia Regina e Diego, em 2023

O Carnaval 2026 em Bauru, que começa neste sábado (14), contará com a participação de seis escolas de samba e dois blocos carnavalescos, que prometem levar criatividade, ritmo e emoção à avenida Jorge Zaiden. Os desfiles acontecem nas noites deste sábado e segunda-feira (16), a partir das 19h, com entrada franca.

Cada agremiação se preparou ao longo do ano para apresentar enredos marcantes, fantasias elaboradas e muito samba no pé, em uma disputa que promete encantar o público.

A Realeza do Carnaval 2026 abre a festividade nos dois dias e é composta pela Rainha do Carnaval Gigi Batalha, o Rei do Carnaval Márcio Kabel, a Rainha da Diversidade Iza Garcia, o Rei da Diversidade Andy Vieira, a Rainha 60 Sheilinha Benedicto e o Rei 60 Mr. Augusto. A seguir, confira o que cada escola levará para a avenida.

DRAGÕES UNIDOS DA VILA

A Escola de Samba Dragões Unidos da Vila desfila no sábado (14), às 21h, com aproximadamente 240 integrantes. O desfile contará com cerca de 35 ritmistas e terá como mestre-sala Felipe Gabriel Teixeira Rodrigues e como porta-bandeira Cleide Cristina da Silva Lima. O carnavalesco responsável pelo espetáculo é Deivid Batista Alves, que assina a concepção artística apresentada pela agremiação na avenida.

Para o Carnaval 2026, a escola leva o enredo "Mistérios dos mares, falam com a minha alma", que narra a história de três sereias e de um pescador encantado pelas lendas do mar.

"Ao ouvir uma nota, ele deixa a vida em terra firme para se tornar guardião do coração de Pérola, passando a pertencer ao universo marinho. Convidamos a todos para mergulhar com a gente na avenida", pontua Deivid. O desfile promete efeitos visuais inspirados no oceano e reforça a mensagem de que o mar não pertence apenas aos humanos, mas a todos os seres que nele vivem.

ESTRELA DO SAMBA DE TIBIRIÇÁ

A Estrela do Samba de Tibiriçá desfila no sábado (14), às 22h10, em seu segundo ano como escola de samba, após mais de 30 anos de trajetória como bloco carnavalesco. A agremiação reúne cerca de 240 integrantes e é presidida por Dulcineia Cosmo Leizico. O desfile terá como destaque o casal de mestre-sala e porta-bandeira conhecidos como "Eltinho e Mada".

Há 67 anos juntos, o casal simboliza resistência e amor pelo carnaval. "Mesmo em tratamento contra o câncer, Mada segue desfilando e encontra na festa a força para continuar sonhando", revela Dulcineia. A bateria é comandada pelo mestre Marquinho Pires e conta com cerca de 40 ritmistas.

Com o enredo "Respeita Nossa Ancestralidade - Somos Ricos e Nem é de Dinheiro que Estamos Falando", a escola propõe uma reflexão sobre a ancestralidade como a maior riqueza do povo brasileiro, valorizando as matrizes indígena, europeia e africana.

Fundada a partir da força comunitária do distrito rural de Tibiriçá, em Bauru, a agremiação se afirma como expressão de resistência cultural e fortalecimento da identidade coletiva por meio do samba e das tradições populares.

MOCIDADE UNIDA DA VILA FALCÃO

A Mocidade Unida da Vila Falcão desfila no sábado (14), às 23h20, levando à avenida Jorge Zaiden um espetáculo construído por cerca de 350 integrantes. A escola é presidida por Luiz Adalberto do Carmo, com Cleber Alves Pedro na vice-presidência, e tem Flávio Silveira como carnavalesco. A bateria será comandada pela mestre Larissa Martins de Souza.

Para 2026, a escola apresenta o enredo "Independente ou Unida, sempre Mocidade", que reafirma sua identidade e trajetória dentro do carnaval bauruense e comemora os 50 anos da escola.

O desfile contará com dois casais de mestre-sala e porta-bandeira: o primeiro formado por Paulo Hissashi Sassaki e Valéria; e o segundo por Jess Signoretti e Silvia, reforçando o compromisso da Mocidade Unida da Vila Falcão com tradição, harmonia e emoção na avenida, explica Carmo.

ESTAÇÃO PRIMEIRO DE AGOSTO

A Estação Primeiro de Agosto desfila na segunda-feira (16), às 21h, com cerca de 300 integrantes e sob a liderança do presidente e fundador Tobias Terceiro.

A escola contará com aproximadamente 40 ritmistas e dois casais de mestre-sala e porta-bandeira: o primeiro formado por Luis Enrique Frabetti, o "Major", e Sara Belasco; e o segundo, mirim, por Maria Luiza e Davi. Para 2026, o enredo "Gurufim à Estrela Dalva" presta uma homenagem póstuma, dentro da tradição do Candomblé, à professora e bailarina Dalva Maria Correa Silva, a Dalva Correa, referência da dança e da arte em Bauru.

Segundo Tobias Terceiro, o desfile busca transmitir uma mensagem de amor e resiliência, unindo o refino do clássico à criatividade e à engenhosidade do carnaval brasileiro. Com uma proposta jovial, politizada e engajada, a Estação Primeiro de Agosto afirma ter uma base sólida.

"Estamos entre as grandes e daremos nosso recado no desfile deste ano. Viemos para ficar e somos ambiciosos", conclui o presidente.

TRADIÇÃO DA ZONA LESTE

A Escola de Samba Tradição da Zona Leste desfila na segunda-feira (16), às 22h10, com a expectativa de levar cerca de 300 integrantes à avenida. A agremiação conta com mestre-sala e porta-bandeira, além de uma bateria formada por aproximadamente 45 ritmistas. O diretor de eventos, Francisco Carlos Saes, destaca que o desfile terá carros alegóricos com esculturas elaboradas, reforçando o cuidado estético da escola para o Carnaval 2026.

Com o enredo "A Índia Encantada Protetora da Floresta", a Tradição da Zona Leste apresenta um samba alegre e envolvente que faz um alerta sobre a destruição das florestas, especialmente da Amazônia, considerada o pulmão do mundo.

Composta por uma comunidade familiar, fiel e apaixonada pelas cores verde e branco, a escola promete levar à avenida a garra de seus integrantes, representada pelo Leão da Zona Leste, símbolo de força e resistência.

COROA IMPERIAL DA GRANDE CIDADE

A Escola de Samba Coroa Imperial desfila na segunda-feira (16), às 23h20, levando para a avenida um enredo em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, referência histórica do samba brasileiro e inspiração para a criação da agremiação.

Segundo a presidente Yves Mazaro de Souza, a escola conta com cerca de 250 integrantes, sendo 50 na bateria, e promete apresentar um espetáculo com retratos icônicos dos carnavais da verde e rosa. "A cada batida do surdo, verso do samba-enredo e detalhe das fantasias e alegorias, o público será conduzido por um verdadeiro show de cores, cultura e sentimento", destaca Yves. A proposta é reinterpretar a força, a poesia e a grandeza da Mangueira com a criatividade e a garra da Coroa Imperial, em um desfile pensado para encantar, arrepiar e fazer a arquibancada cantar do começo ao fim, conclui.

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