Um chamado, mãos trêmulas e uma orientação pelo telefone foram suficientes para transformar quatro homens em situação de vulnerabilidade (moradores de rua) em peças-chave e heróis na luta pela vida de um amigo na Praça das Cerejeiras, sede da Prefeitura de Bauru. Nesta quinta-feira (5), Madruga, de 40 anos, sentiu dores no peito e caiu desacordado. Ele teve um problema súbito da sua função cardíaca e respiratória, mas não estava sozinho.
Imediatamente, Thiago Padilha, 40 anos; André Flaks, 44; Matheus Rodrigues Alves, 44; e Rodrigo Féo, 45, pediram auxílio ao taxista Alexandre Dias Barbosa, 55 anos, para usar o telefone e acionar o Samu. Em 18 anos trabalhando neste ponto de táxi, foi a primeira vez que ele presenciou uma cena assim. “Eu só emprestei o telefone. Foram os meninos que salvaram a vida do amigo, com ajuda do Samu”, frisa.
Matheus disse que, a princípio, achou que era brincadeira de Madruga, até perceber rapidamente que era algo sério. No viva-voz do telefone, enquanto o Samu enviava uma viatura ao local, ele ouviu atentamente os comandos do médico Mateus Tosi e realizou a massagem cardíaca corretamente.
Foram minutos de tensão e desespero, mas André destaca que Deus estava com eles. Com a chegada da equipe médica, formada por Kasuo, Rosana, Lais, Fernando e Marcos, os profissionais assumiram a massagem com ajuda de aparelhos. Nesse momento, Matheus se ajoelhou e passou a orar. Matheus também disse à reportagem do JCNET que eles não fazem mal a ninguém, apenas a si mesmos, porque o fraco deles é “tomar uma pinga”.
“Nós somos uma família para o Madruga. E, graças a todos aqui, ao Samu e a Deus, principalmente, ele está bem, está vivo”, reforça André Flaks.
Houve êxito no procedimento de ressuscitação de Madruga (apenas o apelido foi informado), e ele foi encaminhado com vida ao Pronto-Socorro Central, onde recuperou a consciência e está bem, fora de perigo.