Acusado de matar gari a tiros em BH vai a júri popular
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, vá a júri popular.
Justiça afirmou haver provas de materialidade e indícios suficientes de autoria para que Renê enfrente o júri popular. A decisão foi proferida hoje pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri - 1º Sumariante de Belo Horizonte.
Ana Carolina ainda não marcou a data de quando o julgamento deverá acontecer. Antes, será preciso selecionar o júri que decidirá pela condenação ou absolvição de Renê. Não há previsão de quando isso ocorrerá.
Na mesma decisão, a juíza também indeferiu pedido da defesa de Renê e manteve a acusação de homicídio triplamente qualificado. Par a juíza, as provas colhidas pela investigação comprovam que o empresário matou Laudemir por motivo fútil, causou perigo comum ao atirar em via pública e utilizou recurso que dificultou defesa da vítima.
Renê agiu com "frieza de conduta", afirmou a magistrada. Em sua decisão, Ana Carolina também destacou que o réu demonstrou "completa indiferença" em relação à vida humana.
Além da acusação de homicídio triplamente qualificado, ele responderá por mais três crimes: ameaça contra a motorista do caminhão de lixo, tentativa de fraude processual e porte ilegal de arma de fogo - a arma que ele usou no crime pertencia à esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. Ela é alvo de investigações, mas ainda não é ré em nenhuma ação.
Justiça também manteve a prisão de Renê e negou sigilo do processo. Cabe recurso da decisão. A reportagem entrou em contato com a defesa do empresário, e aguarda retorno.
Mudança de versões
Renê se tornou réu pela morte de Laudemir em setembro de 2025. Na época do crime, cometido em agosto passado, o empresário chegou a confessar, mas mudou de versão e agora tenta anular a própria confissão.
Primeiro, ele admitiu que atirou e matou Laudemir ? essa é a versão aceita pela Justiça. Depois, o empresário falou que o caso havia sido um acidente, além de narrar que atirou para o alto após uma discussão com um grupo de garis, e que só soube da morte horas depois. Por fim, ele alega que Laudemir teria sido morto por membros de uma facção de Minas.
Ele negou que tenha atirado contra o gari. O preso disse que "teve a oportunidade de atirar em outras pessoas" no dia do crime, mas que não fez isso. O relato aconteceu durante seu interrogatório em audiência de instrução.
Após mudar de versão, Renê alega que confessou o crime por ter sido ameaçado por policiais. O empresário relatou que os agentes teriam dito que poderiam prejudicar sua esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, caso não fizesse o que eles queriam.