MATANÇA NAS RUAS

Trânsito de Franca mata mais que o da capital paulista

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Carro destruído após batida no bairro São José
Carro destruído após batida no bairro São José

Franca registrou 40 mortes em acidentes de trânsito nos últimos 12 meses, alcançando uma taxa de mortalidade de 11,22 óbitos a cada 100 mil habitantes, segundo dados consolidados do sistema de monitoramento viário. O índice coloca o município à frente de cidades maiores, como São Paulo (9,07), Santos (8,17) e Diadema (8,70), evidenciando um cenário de atenção no trânsito local.

No comparativo estadual, Franca ocupa a 14ª posição entre os municípios analisados, ficando abaixo de cidades como Piracicaba (17,17), Jundiaí (17,00) e São Vicente (16,82), mas acima de importantes centros urbanos. Apesar de não figurar entre os piores índices do estado, os números indicam que o município apresenta taxa elevada em relação ao seu porte populacional, estimado em 356.397 habitantes.

Na análise regional, Franca também se destaca negativamente. O percentual de fatalidade no trânsito chegou a 3,43%, superior ao de Ribeirão Preto (3,24%), mas inferior ao registrado em Barretos (3,98%) e Campinas (4,85%). O dado indica que, proporcionalmente, a cada conjunto de sinistros registrados, Franca mantém um índice relevante de mortes.

O comportamento anual mostra uma tendência de alta. Em 2025, o percentual de fatalidade atingiu 6,40%, o maior da série histórica apresentada, superando os índices de 2024 (4,26%), 2023 (3,73%) e 2022 (4,02%). O crescimento acompanha o aumento no número absoluto de óbitos: 40 mortes em 2025, contra 35 em 2024.

Entre os tipos de sinistro, os atropelamentos apresentam o maior percentual de fatalidade, com 17%, seguidos por choques (7,94%), outros tipos (3,56%) e colisões (2,92%). O recorte por sexo mostra que os homens são as principais vítimas, com 5,45% de fatalidade, quase o dobro do índice registrado entre mulheres (2,93%).

Prefeitura atribui acidentes a comportamento e reforça ações de prevenção

Em resposta à reportagem, a Secretaria de Segurança, através do diretor do Departamento de Trânsito, Régis Mendes, informou que os principais fatores que têm provocado acidentes de trânsito em Franca, inclusive os fatais, estão, via de regra, relacionados ao comportamento dos condutores.

Segundo ele, destacam-se a imprudência, a falta de atenção - muitas vezes provocada pelo uso do celular ao volante -, o excesso de velocidade e a direção sob influência de álcool. Régis Mendes afirmou ainda que não há registros de acidentes atribuídos a falhas na infraestrutura viária do município e que também não existem pontos críticos específicos ligados a ocorrências fatais.

Embora vias como a rodovia Tancredo Neves, a avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso, a rodovia Ronan Rocha, a rodovia Cândido Portinari e as avenidas Presidente Vargas e Dr. Abrahão Brickmann tenham registrado maior número de óbitos, os locais foram diversos, sem coincidência de endereços.

O diretor destacou o reforço na fiscalização realizada pela Polícia Militar, que resultou em aumento superior a 50% nas autuações em comparação com 2024, além de ações diárias de manutenção do asfalto, revitalização da sinalização, implantação de novos dispositivos e instalação de faixas de pedestres, com estudos para a criação de faixas elevadas.

A pasta também ressaltou a integração entre Prefeitura, Polícia Militar, Detran, Rotary Club Franca Imperador, Tiro de Guerra e a empresa de transporte público em campanhas educativas, como a “Dê Preferência ao Pedestre”, e afirmou que, para 2026, terão continuidade as ações de engenharia, fiscalização e educação com foco na redução da letalidade e na melhoria da mobilidade urbana no município.

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