Trinta anos se passaram desde aquele janeiro de 1996, quando Varginha (MG), município a aproximadamente 310 quilômetros de Franca, deixou de ser apenas uma cidade tranquila do interior mineiro para se tornar protagonista de um dos casos ufológicos mais famosos do planeta. A história da suposta aparição do "ET de Varginha" segue viva, sem ponto final e, talvez, sem uma conclusão definitiva.
Para entender a dimensão do Caso Varginha, é preciso olhar para o relógio e para o calendário daquele mês de janeiro de 1996. O que começou com relatos isolados evoluiu rapidamente para uma narrativa complexa envolvendo bombeiros, militares, civis e hospitais.
Sequência dos acontecimentos
O primeiro sinal aconteceu no dia 13 de janeiro, uma semana antes da "visita" à cidade, um professor de geografia e piloto de ultraleve, relata ter visto a queda de um objeto voador não identificado. Segundo ele, o objeto, que tinha formato de "charuto", teria caído em uma fazenda a cerca de 10 km de Varginha.
O Dia D foi num sábado, 20 de janeiro, quando a rotina da cidade virou de cabeça para baixo. Os eventos se sucederam em questão de horas:
- 1h (madrugada): Um casal de agricultores, moradores de uma fazenda próxima à cidade, acorda com o gado agitado. Ao olharem para fora, afirmam ter visto um objeto silencioso, semelhante a um submarino, pairando e soltando fumaça a poucos metros do chão.
- 8h30 (manhã): O Corpo de Bombeiros é acionado para uma captura de animal estranho em uma mata no bairro Jardim Andere. Relatos apontam que a criatura teria sido capturada e entregue a militares da ESA (Escola de Sargentos das Armas).
- 15h30 (tarde): O relato mais icônico do caso. As irmãs Liliane e Valquíria Silva, acompanhadas da amiga Kátia Andrade, cortam caminho por um terreno baldio no Jardim Andere. Elas se deparam com uma criatura agachada junto a um muro: pele marrom, viscosa, olhos grandes e vermelhos e três protuberâncias na cabeça. Assustadas, elas correm pensando ter visto o "diabo".
- 17h30 (tarde/noite): Uma segunda criatura teria sido avistada e capturada na mesma região, desta vez pelo policial militar Marco Eli Chereze. O ser teria sido levado para o Hospital Regional.
O transporte do suposto Alien, aconteceu em 22 de janeiro, dois dias após as capturas, testemunhas relatam uma movimentação atípica no Hospital Humanitas. Um comboio militar teria retirado a criatura (ou as criaturas) da unidade para levá-la à Unicamp, em Campinas.
Quase um mês depois, no dia 15 de fevereiro, o caso ganha um contorno dramático. O policial Marco Eli Chereze, que participou da suposta captura no dia 20, morreu após passar por uma pequena cirurgia para retirada de um cisto. A causa da morte foi infecção generalizada, levantando suspeitas entre ufólogos de que ele teria sido contaminado por uma bactéria desconhecida ao tocar na criatura sem proteção.
Ao longo de três décadas, o caso acumulou certezas e muitas dúvidas.
- O que é fato: houve relatos de avistamentos incomuns e a cidade presenciou uma intensa movimentação de caminhões do Exército e Bombeiros, algo atípico para a rotina local. O caso ganhou manchetes internacionais, como no Wall Street Journal.
- Versões conflitantes: o Exército sempre negou a captura de seres extraterrestres. Um inquérito da Justiça Militar concluiu que as jovens teriam confundido um morador local, conhecido como "Mudinho", com a criatura. Já ufólogos contestam essa versão, apontando para um acobertamento militar.
- Pontos sem resposta: Que criatura as jovens realmente viram? Por que a morte do policial Chereze permanece envolta em mistério? Por que não existe um relatório oficial conclusivo e público que explique toda a movimentação daquela semana?
Independente da verdade sobre a criatura, Varginha mudou. O ET virou identidade local. A caixa d'água em formato de nave, os pontos de ônibus temáticos e o memorial do ET mostram como a cidade abraçou a lenda. Locais como o terreno no Jardim Andere e os hospitais Regional e Humanitas tornaram-se pontos turísticos e de curiosidade histórica. Trinta anos depois, a cidade seguiu em frente. A história, não.