A falta de 240 sondas traqueais, essenciais para a sobrevivência de um bebê de um ano, levou a mãe, Letícia Cardoso, de 26 anos, a viver dias de desespero no início de janeiro de 2026. Segundo ela, o material não foi entregue pela rede pública, restando apenas cinco unidades em casa para uma criança que depende de aspiração constante para respirar. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a ausência ocorreu por uma falta pontual no almoxarifado central, causada por intercorrências no abastecimento do insumo.
Letícia, que é operadora de caixa, relata que o filho enfrenta graves problemas de saúde desde os primeiros dias de vida. Diagnosticado com bronquiolite, o bebê passou a usar traqueostomia aos dois meses e permaneceu por um longo período intubado na maternidade e no Hospital Estadual, o que resultou em complicações respiratórias.
De acordo com a mãe, a intubação prolongada causou estenose subglótica, um estreitamento da via aérea logo abaixo das cordas vocais. Além disso, durante a internação, a criança contraiu uma bactéria hospitalar, que deixou sequelas no pulmão direito. Por esses motivos, ele precisa ser aspirado entre 10 e 12 vezes por dia com o uso de sondas traqueais.
Para garantir os cuidados adequados, são necessárias cerca de 240 sondas por mês, além de luvas estéreis, soro e outros insumos. “A sonda é o principal material, pois, sem a aspiração das secreções, ele corre o risco de formar uma rolha ou desenvolver traqueíte”, afirma Letícia, que relata dificuldades recorrentes no fornecimento dos materiais pela rede pública de saúde.
Sem condições financeiras para comprar os insumos, a mãe afirma que também não consegue trabalhar, pois precisa cuidar do filho em tempo integral. Ela conta que já precisou esterilizar sondas para reutilização, apesar de o procedimento não ser recomendado, e que, em situações emergenciais, recebeu ajuda de outros cuidadores. “Acredito que outras pessoas também estejam sofrendo com a falta desses materiais. É um problema da saúde pública”, pontua.
Após procurar a Secretaria Municipal de Saúde, Letícia conseguiu atendimento somente no fim da tarde da última quinta-feira (15), após a intervenção do vereador Júnior Lokadora (Podemos), segundo ela. “As sondas do mês seguinte foram adiantadas, com apoio de outra Unidade Básica de Saúde (UBS), e me disseram que fariam um pedido extra para não faltar em fevereiro. Mesmo assim, tenho medo de passar por essa situação novamente”, relata.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que a Prefeitura de Bauru é responsável pelo fornecimento dos insumos previstos no acompanhamento dos pacientes pela rede pública e reforçou que situações pontuais de desabastecimento são tratadas com remanejamentos internos para evitar prejuízos à assistência. “A família deve manter contato direto com a unidade de saúde de referência, que permanece à disposição para orientações e acompanhamento contínuo do caso”, finaliza o texto.