CEI DA SUCATA

Depoimento de diretor da Emdurb revela troca de telha por madeira

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/TV Câmara
Levi Momesso, durante depoimento
Levi Momesso, durante depoimento

O depoimento do Diretor de Limpeza Pública, Serviços Funerários e Cemitérios da Emdurb, Levi Momesso, na Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias de desvios de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Emdurb, na manhã desta segunda-feira (19), revelou uma nova informação: a troca de telhas inservíveis por madeira para a reforma do refeitório dos funcionários do Terminal Rodoviário. A negociação não seguiu os procedimentos administrativos corretos e foi feita sem o conhecimento da presidente da empresa pública, Gislaine Magrini, segundo Momesso.

A partir de uma pergunta da vereadora Estela Almagro (PT) sobre a aquisição de madeira para reforma do refeitório, Momesso disse que foi procurado por um funcionário da Emdurb que se interessava em algumas telhas que seriam descartadas. Como não era possível a doação, Momesso sugeriu a troca por madeiras para a reforma do telhado do refeitório. “O funcionário comprou a madeira, que totalizou R$ 3.390,00, com nota, e trocamos por 17 telhas inservíveis, que estavam inteiras”, informou o diretor. Detalhe: foi durante a reforma do telhado do refeitório que ocorreu um acidente com a morte de um funcionário da Emdurb.

Diante dessa nova informação, a Comissão irá convocar o funcionário envolvido, que é fiscal de transporte, e o encarregado da manutenção, para prestarem esclarecimentos.

Durante todo o depoimento, Levi fez questão de deixar claro que a presidente Gislaine Magrini não sabia dos procedimentos e que a venda das telhas a um ferro-velho, a compra de piso laminado e de móveis (fatos iniciais motivadores da CEI) foram decisões dele e autorizou o acesso à sua conta bancária. Ele confirmou que não houve nenhum processo administrativo para a venda e compra, e que o mesmo poderia e seria feito ao final da reforma do Terminal. Segundo ele, a intenção seria resolver logo o problema, mesmo fazendo mais do que as atribuições previstas para seu cargo: “se errei, lamento”, disse.

O diretor também revelou que foi feita uma pesquisa de preço do quilo do alumínio e que as telhas retorcidas foram levadas para o ferro-velho que apresentou o melhor preço, no Jardim Tangarás.

De acordo com ele, o dinheiro utilizado para a compra dos móveis para a sala da presidência foi depositado diretamente na conta da loja de móveis pelo ferro-velho. Já o valor utilizado para a compra dos pisos laminados foi transferido para a conta do funcionário da Emdurb e imediatamente para a loja. Segundo Levi, “houve essa necessidade porque a empresa gerou um QRCode. Então o ferro-velho fez o pix para a conta do gerente de Limpeza Pública que repassou, imediatamente, para a loja de materiais de construção”, informou. O valor total das transações foi de R$ 9.634,74, que não passaram pelas contas da Empresa. O restante do valor, pouco mais de R$ 12mil reais, está “em haver” no ferro-velho.

Os depoimentos tiveram de ser suspensos por conta do horário de encerramento e serão retomados nesta terça-feira (20), às 9h, quando os demais convocados serão ouvidos.

A vereadora Estela Almagro defende a saída imediata da presidente da Emdurb, Gislaine Magrini. "Veja o quanto estão desregulamentados os procedimentos dentro da Emdurb. Se ela sabia de tudo, é um escândalo o que aconteceu, com falta total de respeito à coisa pública. Ela tem de sair rapidamente! Agora, se ela não sabia, tem de sair mais rapidamente ainda, pois provaria que a empresa não precisa da presidenta, se tudo acontece à revelia dela".

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