COLUNISTA

'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo'

Por Dom Caetano Ferrari |
| Tempo de leitura: 3 min
Bispo Emérito de Bauru

Com estas palavras, São João Batista apresenta publicamente Jesus ao povo reunido às margens do rio Jordão, antes de Ele iniciar a sua missão de salvação e de perdão dos pecados. É o que nos relata São João Evangelista no trecho evangélico proclamado na Santa Missa deste domingo, o segundo do Tempo Comum. (cf. Jo. 1,29-34). São João Batista declara ainda: "Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim". (cf. Jo. 1,30). Recorda que havia batizado Jesus com água para que Ele fosse manifestado a Israel e dá testemunho dizendo: "Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre ele". (cf. Jo. 1,32). Confirma, então, que "este é quem batiza com o Espírito Santo". (cf. Jo. 1,33) e proclama solenemente: "Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus". (cf. Jo. 1,34). Na sequência do Evangelho, São João Evangelista narra que Jesus escolhe os seus primeiros discípulos e dá início à sua missão. Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia este Servo do Senhor como luz das nações, para que a salvação alcance os confins da terra. (cf. Is. 49,3.5-6). Já na segunda leitura, São Paulo afirma que, em Cristo, somos chamados a ser santos. (cf. 1Cor. 1,1-3).

A filosofia clássica afirma que algo existe em vez do nada. Parece complicado, não é? Tentando explicar: se algo existe, então há razões, fatos ou alguém que torna possível a existência de alguma coisa, aqui ou ali presente. Essa é uma afirmação básica que considero verdadeira e real, e acredito que também para você, leitor ou leitora. Para quem tem fé em Deus, a resposta é simples: Deus é quem garante essa verdade, ou seja, Ele é a explicação última da existência de tudo. Por exemplo, o fato de o computador no qual escrevo este texto existir se explica porque estou diante dele; mas, no fim da cadeia dos fatos, aquele que garante que eu existo é Deus, que me criou. Assim, para os que creem em Deus, é natural aceitar que algo exista, tanto na dimensão espaço-tempo - como o computador, a mesa ou a cadeira - quanto na dimensão espiritual - como o pensamento, a beleza, a felicidade, a eternidade e a alma. Para nós, crentes, Deus é a razão da existência de todas as coisas, visíveis e invisíveis. A questão se torna mais complexa para quem não crê ou não quer crer em Deus. Neste início de ano, convido você a encarar o futuro com fé e esperança, coragem, humildade e solidariedade. Os materialistas buscam realizar seus objetivos contando apenas com a ciência, a técnica e a arte. Elaboram planos precisos e metas claras em vista do bem-estar, do prazer, do sucesso, da realização profissional e da construção de um mundo melhor, acreditando não precisar de Deus nem de qualquer motivação de ordem sobrenatural ou religiosa, mas apenas de razões humanas, como o amor à humanidade. Julgam-se, assim, pessoas racionais, científicas e bem resolvidas. Não se pode negar que sejam sinceros e esforçados. Nós, cristãos, porém, afirmamos que construir projetos de vida sem Deus seria uma tragédia, um absurdo. No mínimo, essa pretensão nos frustraria e nos adoeceria antes do tempo. Viver submetido a essa lógica seria um verdadeiro inferno, pois sozinhos nada podemos fazer. Precisamos uns dos outros e, sobretudo, da graça de Deus. O próprio Jesus nos adverte: "Sem mim nada podeis fazer". (cf. Jo. 15,5). E o apóstolo São Paulo testemunha com fé e confiança: "Tudo posso naquele que me fortalece". (cf. Fl. 4,13).

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