O Ensino Médio ainda não garante de modo qualificado a formação do sujeito e do cidadão. Psicologia e Direito, assim como Filosofia e Sociologia, são ciências irmãs: enquanto estas últimas refletem criticamente sobre o mundo e a sociedade, aquelas permitem, de modo ainda mais aplicado, compreender a mente e a lei que estruturam a vida concreta. Separadas, empobrecem; juntas, completam-se de modo interdisciplinar.
O resultado atual, da fragilização de Filosofia e Sociologia e a inexistência de Psicologia e Direito na escola básica, é uma juventude ainda pouco informada, pouco crítica/autocrítica, psicologicamente vulnerável e juridicamente desorientada. A Psicologia (especialmente a psicoeducação) não é exclusivamente clínica, mas formativa. Em autores consagrados como Aaron Beck (EUA, 1921-2021), aprender a identificar pensamentos automáticos, distorções cognitivas e crenças disfuncionais significa desenvolver autocrítica, autoconsciência e autorregulação emocional, é “tornar-se psicólogo de si mesmo”. Ensinar Psicologia no Ensino Médio é oferecer aos jovens métodos para compreender a si próprio e lidar racionalmente com emoções e conflitos. Isso dialoga intimamente com a Filosofia: completa, de modo aplicado, a Filosofia.
O Direito (especialmente o direito constitucional e os direitos humanos) é condição mínima da cidadania. Jovens infelizmente ainda concluem a escola sem conhecer seus próprios direitos e deveres, o funcionamento do seu Estado, as possibilidades e limites do poder. Para teóricos como Jürgen Habermas (Alemanha, 1929), essa ignorância acerca das normas dificulta a liberdade real das pessoas. Educação jurídica básica não forma advogados, mas cidadãos capazes de reconhecer melhor a justiça e a injustiça, resistir ao autoritarismo e participar da vida democrática com mais consciência social e institucional. Isso fala diretamente com a Sociologia, torna a Sociologia mais visível aos alunos.
Psicologia e Direito, ao lado das outras disciplinas, formam um núcleo mínimo da educação integral. Uma ensina a compreender a si; outra, a compreender a lei. Torná-las obrigatórias no Ensino Médio, para aprofundar ainda mais o ensino de Filosofia e Sociologia, é fortalecer a autonomia do aluno, prevenir sofrimento psíquico e qualificar a democracia e convivência humana para todos.