AMIGA DEDUZIU MORTE

Dagmar: ausência de feirante é sentida; “prevíamos o pior”

Por Bruno Freitas | da Redação
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Bruno Freitas
Espaço vago deixado pela barraca de ovos de Dagmar Streger
Espaço vago deixado pela barraca de ovos de Dagmar Streger

O desaparecimento de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, cujo corpo é procurado em um poço de 30 metros de profundidade em um caso investigado pela Polícia Civil como latrocínio, deixou uma lacuna física e sentimentos de dor, tristeza e desolação entre os colegas que atuam nas feiras livres de Bauru. A ausência é especialmente sentida na Praça Nabih Gebara, conhecida como Praça da Assenag, no Jardim Estoril, onde a aposentada mantinha, há anos, o ponto de venda de ovos de sua granja. O espaço que antes era ocupado por Dagmar permanece vazio e evidencia que a ferida está longe de ser cicatrizada entre os amigos de longa data. Ela era viúva e não tinha filhos.

O JCNET conversou com alguns deles, em especial uma pessoa muito próxima de Dagmar, cuja mãe era amiga íntima há muitos anos. Ela preferiu que sua identidade fosse preservada.

No entanto, conta que os caseiros Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40, presos no dia 24 de dezembro, na cidade de Salto do Itararé (PR), suspeitos pelo homicídio de Dagmar, já tinha histórico de problemas com patrões anteriores na área rural. O casal confessou o crime e onde o corpo foi descartado, informa a Polícia Civil.

“Eles sempre estavam envolvidos com alguma coisa errada. Foram demitidos de uma chácara nos arredores do Lago Sul, em 2019, foram para outra e, cerca de seis meses depois, ficamos espantados em vê-los na barraca da dona Dagmar. Tentamos avisá-la de que o Paulo e a Dani eram problema, mas a dona Dagmar disse que, mesmo assim, iria dar essa oportunidade para eles”, recorda, em tom de lamentação, um dos feirantes.

Ausências

Os feirantes também lembram que, nos primeiros meses, dona Dagmar não tinha muito do que reclamar do serviço dos caseiros. Porém, em 2025, tudo mudou. “Ela começou a relatar que passou a ter problemas com eles, mesmo sendo caridosa, ofertando um lote de terra para o casal, mas que acabou comprando de volta, talvez por mau uso. A dona Dagmar era alegre, vibrante, sorridente, engraçada, fazia piadas e nunca aceitava desconto. Para ela, o preço justo era o justo. E isso, infelizmente, foi mudando, e ela passou a faltar com frequência na feira”, relembra.

A justificativa das ausências seriam os “problemas” que os caseiros estariam causando a Dagmar, prejudicando sua rotina não apenas na feira da Praça Nabih Gebara, mas também nas entregas para outros clientes fixos.

“Prevíamos o pior”

Quando um dos feirantes mostrou à mãe, também comerciante na mesma praça, publicações nas redes sociais sobre o desaparecimento de dona Dagmar, ela disse sem titubear: “O Paulinho e a Dani mataram ela. Tenho certeza”. Dias depois, a dedução em tom de afirmação se confirmou com informações da Polícia Civil.

O Caso

O corpo de Dagmar Grimm Streger é procurado em um poço, que demandou escavações profundas na propriedade em que ela morava, no bairro rural Rio Verde, em Bauru. O trabalho segue nesta sexta-feira (9). Pelo local, foi necessário derrubar um imóvel secundário, na última terça-feira (6), para permitir o avanço dos trabalhos e garantir a segurança das equipes.

As escavações envolvem equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Obras), que atuam com maquinário pesado da Prefeitura, além da Polícia Civil. O Corpo de Bombeiros também auxiliou nos primeiros dias e permanece à disposição da investigação.

O caso é investigado como latrocínio (roubo seguido de morte). Dagmar vivia sozinha em um sítio, onde também residia o casal Paulo e Daniela, que ocupava outra casa na mesma propriedade, a qual precisou ser demolida. Durante as investigações, a Polícia Civil constatou o desaparecimento do veículo da idosa, um Fiat Strada, localizado posteriormente após negociações em diferentes cidades.

O casal suspeito foi preso no dia 24 de dezembro, no Paraná, onde os filhos ficaram sob responsabilidade do Conselho Tutelar. Amigos da vítima relataram que já desconfiavam de possíveis extorsões.

Dagmar era feirante na Praça Nabih Gebara, também conhecida como Praça da Assenag, no Jardim Estoril (foto: Bruno Freitas)
Dagmar era feirante na Praça Nabih Gebara, também conhecida como Praça da Assenag, no Jardim Estoril (foto: Bruno Freitas)

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