Na liturgia, este domingo é a Solenidade da Epifania do Senhor, popularmente conhecida como Festa dos Santos Reis Magos, que no passado era celebrada no dia 6 de janeiro e constituía dia santo de guarda. Epifania é uma palavra de origem grega que significa revelação, manifestação. Trata-se, portanto, da manifestação de Deus ao mundo por meio dos Reis Magos que, representando toda a humanidade, foram adorar o Menino Jesus em Belém.
São Mateus, no Evangelho proclamado na Santa Missa (cf. Mt. 2,1-12), narra a saga desses reis astrólogos que, ao verem a estrela no Oriente e compreenderem o seu significado, puseram-se a caminho, seguindo-a até Belém, para oferecer ricos presentes ao recém-nascido Messias, o "Rei dos Judeus", e adorá-Lo na gruta.
Na Missa da noite de Natal, o profeta Isaías já apontava para uma luz no céu: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz". (cf. Is. 9,1). Nem todos, porém, viram essa luz, nem perceberam os sinais que anunciavam o nascimento do Salvador. Ainda sob os auspícios do Natal, a imagem da luz permanece presente neste domingo da Epifania, na história dos Reis Magos, que viram brilhar no céu uma estrela nova.
Na primeira leitura (cf. Is. 60,1-6), Isaías proclama novamente: "Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor". (cf. Is. 60,1). Sendo estudiosos dos astros, os magos pesquisaram até descobrirem um oráculo que indicava aquela estrela como sinal de um acontecimento cheio de esperança para o povo judeu: o nascimento de um novo rei. A estrela, "que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra". (cf. Mt. 2,9-11).
Na segunda leitura (cf. Ef. 3,2-3a.5-6), São Paulo afirma que esse mistério, escondido desde os séculos, foi revelado aos apóstolos, profetas e também aos gentios, "membros do mesmo corpo, associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho". (cf. Ef. 3, 6). Trata-se do mistério da Encarnação do Filho, que se apresenta como luz do mundo e caminho para o Pai.
Na vida, "navegar é preciso", desde que se tenha a estrela certa a guiar. Ainda que essa estrela nos conduza a uma insignificante Belém, não importa, pois foi de lá que veio o Salvador: "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que será o pastor de Israel, o meu povo". (cf. Mt. 2,6; Mq. 5,1).
A estrela que guiou os magos não parou em Jerusalém, capital do rei Herodes, nem em Roma, centro do poderoso império da época, mas sobre a Belém do presépio. Deus se manifestou em meio aos pobres, num Jesus pobre. Ele foi visto, primeiramente, por Maria, José e os pastores (cf. Lc. 2,15-20); depois, pelos Reis Magos do Oriente.
Levantemos os nossos olhos e descubramos a estrela de Deus que deseja guiar nossos passos em 2026, ao encontro de Cristo Jesus, a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todas as pessoas. (cf. Jo. 1,9). Sigamos o caminho que essa estrela nos indica: não o da grandeza e do poder, mas o do serviço, da simplicidade e da paz.