ÁGUA

Presidente do DAE: Bauru vai precisar de nova ETA na Zona Norte

Por Nelson Itaberá | da Redação
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Nélson Itaberá
Engenheiro João Carlos Dias Viegas, presidente do DAE
Engenheiro João Carlos Dias Viegas, presidente do DAE

O engenheiro João Carlos Dias Viegas conta que a ampliação da reservação natural de água na região de captação do Batalha não vai sair até abril, como anunciou, mas garante que a intervenção será entregue em 2026. Como presidente recente do DAE, Viegas avalia que todas as ações em estudo no projeto Sacre são necessárias e inclui, no rol, a necessidade da cidade instalar uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA) e Captação na Zona Norte. Isso significa, segundo Viegas, que as soluções de gestão integradas para resolver as dificuldades do sistema de abastecimento da cidade devem incluir uma nova ETA na bacia do Água Parada.

A utilização de água na região do Água Parada, no lado oposto a Lagoa do Batalha, na zona Sul, está apontada no Plano Diretor de Águas (PDA) de 2015 e em outros estudos sobre abastecimento de Bauru como alternativa futura de abastecimento, mas fundamental. Contudo, a opção foi "descartada" pelos últimos presidentes do DAE, seja por desconsiderar o potencial (e necessidade) de fontes alternativas para complementar a demanda de consumo, no tempo, seja pela opção política de gestões de concentrar as discussões no sistema Batalha (onde as carências são mais latentes e geraram vários rodízios por escassez no fornecimento de água).

"Há necessidade de a cidade ter uma nova ETA na Zona Norte. E o sistema Água Parada tem volume de água em condições de integrar o fornecimento futuro. Hoje, a prioridade está voltada para o Batalha, com investimentos da prefeita já em andamento nos poços pulmão, reservatório e adutora no Val de Palmas porque de fato esta é a prioridade. Mas Bauru não pode manter bombas em 40 poços funcionando 24 horas. Isso é muito caro e esgota muito o sistema", aponta.

Viegas comunga dos apontamentos do estudo Sacre de que as soluções estão em várias frentes. "Estamos neste momento realizando as determinações da prefeita no Val de Palmas, comprando uma máquina anfíbio para ter como desobstruir afluentes e o canal do Batalha o tempo todo, temos uma série de investimentos em reservação, controle de perdas, interligações, controle de pressão da rede. Todas as ações apontam, a curto e médio prazo, para a necessidade de reduzir o uso e perfurar novas ponteiras (poços). Porque o sistema tem de contar com várias alternativas, no tempo", opina.

Sobre buscar água no Rio Tietê (conforme anunciado pela prefeita em projeto conjunto com investimento citado pelo governo do Estado), Viegas diz que caro é deixar de fazer. "Se é razoável apontar que buscar água no Rio Tietê é solução para perto de 2045, também é certo dizer que toda água é importante. E nesse cenário de mudanças climáticas e um sistema em Bauru que hoje perde muito do que produz (vazamentos) e retira mais do que o Batalha oferece (na captação atual), antecipar a oferta de água via Tietê é pensar em resolver antes, porque a carência existe. E esse plano tem o fôlego do investimento do Estado, que Bauru não tem", defende.

A curto prazo, o presidente do DAE reafirma a ampliação da Lagoa de Captação do Batalha, que sairá dos atuais 90 mil metros cúbicos para 800 mil metros cúbicos de reservação natural, sendo entregue em 2026.

Ele inclui na lista de necessidades, como apontado no PDA (que será revisado no próximo ano), a segunda captação (22 quilômetros abaixo da atual, no Batalha), a troca de 24 comportas na ETA (no próximo ano) e todas as ações de engenharia e operacionais para reduzir o tempo de uso dos poços em alguns anos, além de desafogar o uso do Aquífero Guarani e fazer gestão do sistema com controle de perdas, reservatórios, o cronograma de interligações e monitoramento de pressão da rede.

"Tem de programar e fazer cada item do PDA e isso inclui setorizar, substituir redes de quilômetros. Não há solução futura de uma ou outra medida isolada. É um sistema", completa.

FASE DO SACRE

A atual fase do projeto Sacre busca construir um modelo de simulação das águas superficiais e subterrâneas acopladas (integrando ambas as águas), para servir de base para definir, quantificar e apresentar soluções (quem recebe água em diferentes condições do rio e aquífero) para a tomada de decisões planejadas. Mas o Sacre vai além de buscar soluções para a escassez de água em Bauru. "As cidades do futuro serão aquelas em que as residências, os negócios e as indústrias tenham sistemas separados para atender às suas necessidades. Não é necessário ter água potável para dar a descarga no banheiro, pode-se usar a água do lençol freático, que pode até estar contaminada e ser não potável. Essa mesma água de poços rasos (SAB) poderá ser usada para limpar ruas, irrigar jardins e áreas verdes (não frutíferas)", analisa o especialista em águas Ricardo Hirata.

Em nosso regime climático monçônico (verão chuvoso e inverno seco), é possível reservar essas águas de chuva no aquífero para usá-las na estiagem (por exemplo, com lagoas urbanas). "Isso estamos fazendo na bacia do rio Batalha. E estamos avaliando também para a região do Horto Florestal, um sistema que retira água contaminada do córrego do Comprido, a trata com árvores e promove a recarga de aquíferos com água limpa", conclui Hirata. Ao fim, então, o estudo envolve ações diversas, integradas sendo que, cada uma, contribui para o uso racional e o armazenamento de águas. "O plano, no todo, assim, de cidade-esponja, é um conceito ampliado, ambiental e hídrico".

 

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