EM BAURU

Jd. Botânico e Aliança Global contra comércio ilegal de plantas

da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Polícia Militar Ambiental participa da iniciativa fiscalizando
Polícia Militar Ambiental participa da iniciativa fiscalizando

O Jardim Botânico Municipal de Bauru passou a fazer parte da Ilegal Plant Trade Coalition (IPTC) ou Coalizão de Combate ao Comércio Ilegal de Plantas, promovido pelo Botanic Gardens Conservation International (BGCI), integrando um grupo de 135 Jardins Botânicos parceiros que compõem a Coalizão no mundo.

O BGCI é uma organização internacional, sediada no Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, que reúne jardins botânicos do mundo todo com o objetivo de conservar a biodiversidade vegetal. O BGCI atua como uma rede global de especialistas em conservação vegetal, educação ambiental e pesquisa científica.

A IPTC é uma aliança global de Jardins Botânicos, organizada pelo BGCI, que em conjunto com diversas instituições parceiras, tem o objetivo de promover ações combinadas para abordar, entender e mitigar os impactos negativos do comércio ilegal de plantas, que representa uma ameaça direta à conservação da biodiversidade vegetal.

NO MUNDO

Em abril de 2024, o BGCI promoveu uma campanha mundial de combate ao comércio ilegal de plantas. O convite foi estendido a todos os jardins botânicos parceiros, incentivando-os a divulgar e compartilhar conteúdos em suas redes sociais institucionais, ao longo do mês, para sensibilizar o público sobre essa importante temática.

Compreendendo a importância deste tema, o Jardim Botânico de Bauru promoveu, pela primeira vez, a criação de uma campanha educativa denominada 'Comércio Ilegal não é Legal: Todos contra o comércio de plantas'. O objetivo é sensibilizar e orientar corretamente a comunidade, por meio de uma campanha educativa contínua, sobre a problemática do comércio ilegal.

A ideia é que a campanha, por meio das ações dos parceiros, atinja o maior número possível de pessoas, engajando a comunidade para divulgar e conhecer as formas legalizadas de lidar com as plantas sem prejudicar a biodiversidade vegetal e sem colocar em risco espécies importantes, raras e ameaçadas.

INICIATIVAS

A ação conta com a participação de importantes parceiros locais que representam pilares da campanha. É o caso da Ceagesp representando o comércio legalizado; Correios representando o transporte legalizado; Jardim Botânico Municipal de Bauru representando a conservação da flora e Polícia Militar Ambiental representando a fiscalização e cumprimento das leis ambientais

As ações da campanha envolvem diversas atividades educativas e informativas, atuando em diversas frentes como distribuição de folders e cartazes, palestras em escolas e eventos ambientais, apresentação em feiras ambientais, divulgação em redes sociais e site institucional, divulgação para o público visitante do Jardim Botânico, entre outras.

Ao participar desta campanha, o JBMB assume papel de agente multiplicador local, fortalecendo a conscientização em escolas, empresas, comunidade e fomentando uma cultura de conservação e respeito à legislação ambiental. A partir das diversas ações da campanha e sua repercussão positiva com a comunidade, sob orientação do BGCI, o Jardim Botânico Municipal de Bauru foi convidado a participar da IPTC.

IMPERCEPÇÃO

Percebe-se que as preocupações com o tráfico de animais e a atenção dada a essa problemática é muito superior às preocupações com a flora, fato esse decorrente da impercepção botânica por parte da sociedade. Entende-se por impercepção botânica a dificuldade das pessoas em perceber, reconhecer e valorizar as plantas ao redor, manifestando-se como falta de atenção à sua diversidade e importância.

Suas causas têm origem no ensino defasado de botânica no âmbito escolar, do ensino infantil ao superior, e ao distanciamento do público dos ecossistemas naturais. As consequências incluem a desvalorização da flora, ignorância sobre o papel das plantas para a biosfera e o meio ambiente e a dificuldade em lidar com problemas como as mudanças climáticas, informa a assessoria.

COMO COMBATER

- Nunca coletar plantas da natureza - retirar espécies nativas é crime ambiental
- O transporte de plantas vivas não é permitido pelos Correios - são necessárias diversas documentações, certificações e autorizações para que isso seja possível
- Evite comprar plantas pela internet
- Busque vendedores legalizados
- Não adquira espécies ameaçadas de extinção - o Jardim Botânico pode auxiliar na identificação destas espécies

RISCOS À BIODIVERSIDADE VEGETAL

Anualmente, o número de espécies vegetais em ameaça de extinção supera em muito o número de espécies animais ameaçadas. Atualmente, 571 espécies de plantas foram extintas desde 1800.

O comércio ilegal de plantas é um problema global que traz sérias consequências: contribui para a extinção de espécies vegetais; perturba a dinâmica dos ecossistemas naturais; interfere diretamente e de forma negativa na economia local de povos originários; causa a perda de conhecimentos culturais e tradicionais sobre as plantas; introduz plantas e patógenos invasores, gerando riscos de biossegurança; estimula a retirada ilegal de plantas da natureza.

No Brasil, a prática do comércio ilegal de plantas inicia-se com a exploração madeireira e com a retirada de plantas por colecionadores, que ao longo do tempo atingiu uma ampla escala econômica e comercial. Muitas espécies de plantas sofrem com o comércio ilegal devido ao uso paisagístico, medicinal e alimentício.

Alguns exemplos de espécies que entraram em risco de extinção devido à extração intensiva da natureza são o xaxim - antigamente usado para produção de vasos para plantio, e a palmeira-jussara - utilizada para produção de palmito. Outras plantas como bromélias, orquídeas, samambaias, suculentas, cactáceas e plantas carnívoras sofrem com a coleta ilegal na natureza e tráfico para fins paisagísticos e para apreciação de colecionadores.

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