SABERES TRADICIONAIS

Práticas alternativas de saúde é tema de documentário bauruense 

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação: Sarah Vitória

Na segunda-feira (17), estreia de forma online e gratuita, o documentário bauruense “Do Ebó ao Abô: Práticas de Saúde nos Terreiros”. Produzido totalmente na cidade de Bauru, o lançamento será pelo canal do Jornal Dois e ficará disponível por 24 horas para o público assistir.

A obra explora como a saúde é um tema fundamental para as religiões de matriz africana – umbanda, candomblé e quimbanda. Por meio de saberes tradicionais, Mães e Pais de Santo e praticantes dessas denominações religiosas mostram como os terreiros são espaços comunitários que promovem a saúde física e mental para a população.

Ebó e Abô são duas práticas litúrgicas de religiões de matriz africana – umbanda e candomblé. O ebó possui diferentes finalidades, dentre elas, promover saúde para a pessoa beneficiada. Já o abô é um banho preparado com ervas específicas para purificar energeticamente o indivíduo. Ambos os rituais sagrados são realizados por um dirigente espiritual e são feitos para proporcionar saúde e bem-estar a quem recebe.

Realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), através da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, Governo Federal e Ministério da Cultura, o documentário também aborda a Resolução nº 715 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), de 20 de julho de 2023, que reconhece terreiros como equipamentos promotores de cura e saúde complementares ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa resolução é importante porque visibiliza a importância desses espaços, muitas vezes alvos de violências e descredibilizados como espaços de potência.” – explica Ariane Souza, psicóloga e candomblecista.

Historicamente no Brasil, terreiros são locais de tratamentos e curas. Por meio de ervas e chás, benzedeiros e dirigentes espirituais proporcionam cuidados de saúde para a população, e transmitindo o conhecimento popular oralmente.

Assim, o documentário propõe um olhar sensível sobre essa relação entre saúde, espiritualidade e ancestralidade. “Seja dentro da umbanda ou do candomblé, a gente tem receitas ou magias para podermos cuidar das pessoas. Eu acredito que a maior função das religiões de matriz africana seja, de fato, cuidar das pessoas.” – afirma Babá Gabriel, Pai Pequeno do Terreiro Preto Velho Cipriano do Engenho.

Embora não haja um número oficial de terreiros em Bauru, o objetivo do filme é valorizar o papel de acolhimento e resistência cultural desses espaços. E também convidar as pessoas não adeptas de religiões de matriz africana a conhecer mais sobre essas tradições e desmistificar qualquer tipo de preconceito, combatendo assim o racismo religioso.

Em breve, ocorrerá o lançamento presencial do documentário. O evento será em Bauru, com entrada gratuita e aberto para toda a população, integrando a agenda cultural da cidade. A exibição presencial contará com cenas inéditas e os espectadores receberão cartilhas contendo a biografia de cada um dos entrevistados, assim poderão conhecer mais sobre os protagonistas da obra. “Ter saúde é ter felicidade, não se conformar com o problema, não se entregar à sua doença. Buscar no espiritual, no sagrado, algo que te dê força. Muitas doenças não têm cura, mas eu acredito na cura espiritual. Ter saúde é compreender aquilo que você está passando.” – complementa Pai Humberto, dirigente espiritual da Casa de Oração Umbandista Pai Tomé das Almas.

Além do material distribuído na exibição, também será disponibilizado uma capacitação online gratuita com legenda, oferecendo formação técnica à população e acesso democrático ao conhecimento.

Divulgação: Luane Oliveira
Divulgação: Luane Oliveira

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