Um grupo de alunos do curso de Desenvolvimento de Sistemas da Escola Técnica Estadual (Etec) Rodrigues de Abreu, em Bauru desenvolveu um protótipo inovador de óculos inteligentes, que promete ampliar a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência visual como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
O projeto, batizado de VisionSense, utiliza tecnologia de baixo custo para detectar obstáculos e emitir alertas táteis, gerando uma melhor mobilidade para quem tem deficiências visuais a ter mais independência, informam os alunos João Pedro Ferreira Viana, Eric Santos de Souza, Erik Vinicius Pinheiro Doca e Emilly Vitória Almeida Gonçalves.
De acordo com os estudantes, o dispositivo funciona com base na Arduino, uma plataforma de prototipagem rápida que permite ao desenvolvedor criar dispositivos de maneira simples e prática utilizando um circuito (ESP32 Mini) para executar o código principal. Ele conta com um sensor a laser para detecção de obstáculos e motores vibratórios para fornecer retorno tátil ao usuário. O sistema é capaz de identificar barreiras a até 1 metro de distância, emitindo vibrações de diferentes intensidades conforme a proximidade do objeto.
A proposta alia simplicidade, eficiência e acessibilidade, com custo de produção estimado em cerca de R$ 350, tornando-se uma solução prática e de baixo custo para auxiliar a mobilidade de pessoas com deficiência visual, informam os criadores, que foram orientados pela professora Maria Lúcia de Azevedo e coorientados por Anderson Aparecido Pereira.
Os evolvidos destacam que, além da viabilidade técnica e econômica, o projeto se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3), que tratam de saúde e bem-estar, reforçando o compromisso com a redução das desigualdades e a promoção da inclusão social.
Com design leve, autonomia energética e funcionamento independente de internet, o VisionSense mostra que a inovação também pode ser acessível e transformadora, tornando a mobilidade de pessoas com deficiência visual mais segura e digna, frisa o texto de divulgação.
"Quando fomos desenvolver o nosso projeto de TCC, tínhamos alguns pontos importantes, que a gente queria priorizar, que era fazer algo de baixo custo, que resolvesse algum problema e, mais importante, que tivesse a integração entre o sensor e pessoa, onde um sensor vem auxiliar no dia a dia de alguém, vem auxiliar numa situação específica", explica Emilly.
A escolha pelo desenvolvimento de óculos se deu após os alunos pesquisarem as lacunas de tecnologias, os que existiam no mercado e público alvo. "Demos conta que havia o público com deficiência visual, que hoje em dia é um público muito grande. E a gente falou assim: nossa, é o público perfeito! Pensamos em fazer alguma coisa que viesse a ajudar esse público, que auxiliasse junto com a bengala", ressalta a aluna.
O grupo também conversou com uma pessoa com deficiência visual para verificar se a ideia seria viável: "Eu perguntei para uma pessoa, que é deficiente visual, não enxerga nada e eu expliquei a ideia. Perguntei como seria usar um protótipo desse, se essa ideia iria auxiliar no dia a dia. E ela falou que sim, pois usa bengala, e, às vezes, precisa da ajuda de terceiros para se locomover, mas com os óculos sairia com muito mais confiança na rua sozinho", continua a aluna.
Segundo a orientadora Maria Lúcia de Azevedo, durante a pesquisa de campo, os alunos descobriram que os obstáculos altos também são um problema para as pessoas com deficiência visual. "Eles pesquisaram e descobriram as pessoas com essa deficiência batem muito a cabeça e têm problemas com obstáculos superiores. Isso veio reforçar a ideia dos óculos. Eu fico muito contente em ver meus alunos aplicando todo o conhecimento que eles têm durante o curso de desenvolvimento de sistemas", completa a orientadora.
"Quisemos mostrar que a verdadeira inclusão começa quando a tecnologia assistiva deixa de ser luxo e passa a ser um direito de todos", finaliza Eric Santos.