A falta de itens básicos nas unidades de saúde de Bauru, afetando até mesmo a rotina interna de servidores, voltou a chamar a atenção nesta semana. Na última terça-feira (12), circulou nas redes sociais a foto de um aviso afixado na Unidade Básica de Saúde (UBS) Bela Vista, em área restrita a funcionários, com pedido de doações de pó de café ou contribuições em dinheiro para suprir a ausência do produto. Conforme o Jornal da Cidade apurou, a situação ocorre em diversos serviços de saúde e também em escolas municipais.
Ainda na terça, o vereador Júnior Lokadora esteve na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ipiranga e denunciou, em vídeo publicado em suas redes, a ausência de sabonete e detergente líquidos para uso dos profissionais de saúde. Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou a falta dos itens e acrescentou que o processo licitatório para aquisição do pó de café fornecido aos servidores municipais, realizado pela Secretaria Municipal da Administração, está em andamento, em fase de análise de amostras e documentos.
Com relação ao sabonete líquido para lavagem das mãos, informou que o material foi entregue na terça-feira pela empresa contratada e já está sendo distribuído nas unidades de saúde. "Quanto ao detergente líquido, a empresa fornecedora foi notificada sobre o atraso e comunicou que a entrega deve ser realizada nesta semana", finaliza.
O pedido de ajuda para garantir o café dos servidores da UBS Bela Vista foi afixado nas paredes da área restrita aos funcionários e até no micro-ondas usado pelos trabalhadores. O texto informava: "Devido ao fato de estarmos sem fornecimento de pó de café pela prefeitura, estamos fazendo arrecadação de valores ou mesmo o pó de café para termos em nossa UBS. Sendo assim, o café é restrito aos funcionários do posto. Agradecemos a compreensão".
'INJUSTIFICADA'
Nesta quarta-feira, a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) esteve na unidade e confirmou ter havido "interrupção injustificada" do produto, bem como a mobilização por parte da equipe de saúde. "Ter café disponível durante o expediente não é regalia, é parte de um ambiente minimamente digno, especialmente para quem atua sob pressão constante, lidando diariamente com a saúde e o bem-estar da população. Negar isso aos trabalhadores é mais um retrato da falta de respeito da atual gestão para com o funcionalismo público", afirma a entidade, em nota.
Conforme apurou o Jornal da Cidade, também faltaram produtos de limpeza na unidade, problema que se repetiu na UPA Ipiranga. Na terça-feira, o vereador Júnior Lokadora esteve no local para acompanhar o caso de uma paciente que aguarda há uma semana por vaga em leito psiquiátrico e, durante a visita, constatou a falta de insumos essenciais, como sabonete e detergente líquidos para uso dos profissionais.
"O que enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos mais precisam fazer no ambiente de trabalho é sempre lavar as mãos. Coisa simples não pode faltar em uma unidade de saúde e vamos continuar cobrando", diz.