POLÍTICA

Alvo de ação na Justiça, Mesa propõe mudar regimento interno

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
André Fleury Moraes
Atual presidente da Câmara, Markinho Souza (MDB) foi primeiro secretário da Mesa na semana passada
Atual presidente da Câmara, Markinho Souza (MDB) foi primeiro secretário da Mesa na semana passada

Presidente da Câmara de Bauru, o vereador Markinho Souza (MDB) encabeça junto à Mesa Diretora um projeto que dá nova redação ao dispositivo do Regimento Interno segundo o qual "qualquer Comissão é competente, por qualquer de seus membros, para requerer que determinado projeto que dê entrada na Câmara, seja submetido àquela Comissão". A proposta de alteração já tramita em regime de urgência.

Em outras palavras, a mudança que a Mesa, composta também pelos vereadores André Maldonado (PP) e Dario Dudario (PSD), pretende dar ao artigo 54-F, alvo da discussão, vai na linha do que decidiu o plenário na semana passada no âmbito do projeto que autoriza o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a contrair empréstimo de R$ 40 milhões.

A proposta só passou porque uma manobra da bancada governista deu interpretação extensiva ao dispositivo regimental, que trata dos pedidos das comissões.

Naquela sessão, o vereador Mané Losila (MDB) foi escalado para questionar se o artigo que garante a qualquer comissão requerer um projeto se aplica à Comissão Interpartidária. Mesmo com entendimento contrário da Procuradoria, o presidente decidiu submeter a dúvida a plenário.

A vasta maioria dos vereadores, todos da base do governo, concluiu, na prática, que a Comissão Interpartidária, um órgão permanente da Câmara, não se insere na expressão "qualquer comissão".

Na sexta-feira (29), a oposição foi à Justiça contestando a manobra que permitiu a aprovação do empréstimo e pedindo a suspensão da norma já em caráter liminar. Até agora não houve decisão sobre o tema - o Judiciário pediu posição do MP sobre o tema, mas ainda não houve manifestação.

O polêmico projeto de mudança no regimento quer dar ao dispositivo a condição de que requerimentos de comissões devam ser assinados por maioria de seus membros - "deliberação que dependerá da aprovação da maioria do plenário quando se der em sessão ordinária ou extraordinária".

Em outras palavras, se um projeto der entrada na segunda-feira de manhã em regime de urgência, e o presidente decidir pautá-lo, quem quiser analisá-lo precisará se submeter ao crivo da maioria governista da Câmara.

Vereadores de oposição reagiram ao projeto e avaliam que a proposta confirma a ilegalidade da decisão tomada na semana passada sobre o artigo do regimento. "A Mesa está mudando o 54-F exatamente para dizer que, a partir de agora, [requerimento de comissão] será submetido ao plenário. Se fosse esse o entendimento desde o início, não teriam de alterar o regimento", afirmou a vereadora Estela Almagro (PT).

"O que está sendo colocado em pauta aqui é se haverá ou não oposição em Bauru. Se os vereadores podem ou não fiscalizar o Executivo", emendou o vereador Eduardo Borgo (Novo).

Markinho diz que havia dúvidas sobre o dispositivo e que agora a redação é mais objetiva. "Requerer pressupõe pedir", afirma, embora admita que o atual regimento não diz a quem cabe decidir sobre a solicitação.

Na semana passada, informações sobre uma reunião do presidente da Casa a portas fechadas com o promotor Fernando Masseli Helene começaram a circular após um encontro de Masseli com vereadores de oposição. O JC indagou a ambos sobre se houve reunião da Mesa com o MP. A resposta foi negativa.

Nesta segunda, porém, Markinho admitiu ao JC ter feito uma reunião "informal", como atribuiu, como o titular da Promotoria do Patrimônio Público de Bauru. "Você, aquele dia, me perguntou se a Mesa tinha ido lá. Não tinha. Mas eu tinha dado uma passada, sabe?", afirmou o presidente.

Questionado sobre por que a informação fora omitida quando do primeiro telefonema, Markinho disse que a pergunta foi "se a Mesa" a havia se reunido, e não ele mesmo - que presidente, que preside a Mesa.

"A minha ideia [com o projeto] não é alijar [a Comissão Interpartidária], pois ninguém quer alijar nada nem o direito de ninguém. Mas, infelizmente, a oposição fez a minoria da quantidade de vereadores aqui nas cadeiras", disse.

Comentários

Comentários