OPINIÃO

Chamem o João Saldanha: a voz da verdade no futebol brasileiro

Por Walter Vicioni Gonçalves | O autor é titular da Cadeira 36 da Academia Paulista de Educação
| Tempo de leitura: 3 min

João Saldanha, um dos mais icônicos personagens do futebol brasileiro, é lembrado não apenas por sua trajetória como treinador e comentarista esportivo, mas também por sua postura crítica e apaixonada em relação ao esporte. Nascido em 1917, Saldanha se destacou como jogador, mas foi como técnico da Seleção Brasileira que deixou sua marca indelével na história do futebol.

Saldanha assumiu a Seleção em um período conturbado, em 1969, e foi responsável por convocar jogadores que se tornariam lendas, como Pelé e Jairzinho. Sua visão inovadora e seu estilo ousado de jogo foram fundamentais para o desenvolvimento do futebol brasileiro. No entanto, sua trajetória não foi isenta de controvérsias. Saldanha era conhecido por suas opiniões contundentes e por não hesitar em criticar a CBF e as injustiças que via no esporte.

Pois é ... João Saldanha, jornalista consagrado como comentarista esportivo, treinador de futebol e militante comunista com expressiva atuação nos movimentos operários dos anos 50. João Sem Medo, indicado como Técnico da Seleção Brasileira, assegurou a nossa classificação para a Copa do Mundo de 1970, depois do desastre de 1966. Apesar do feito, foi removido do seu comando por se negar a selecionar os jogadores indicados pelo General Médici, Presidente do Brasil: "nem escalo Ministério e nem o presidente escala time".

Atribuindo o fiasco na Copa do Mundo da Inglaterra (1966) à ausência de um time de base, montou uma equipe formada por jogadores do Santos, Botafogo e Cruzeiro, radicados no Brasil. As "Feras do Saldanha", como ficou conhecida a equipe, garantiram a vaga do Brasil na Copa e ainda trouxeram o título de Campeão Mundial, pela terceira vez.

O título "Chamem o João Saldanha: a voz da verdade no futebol brasileiro" evoca a necessidade de uma voz que questione e desafie as normas estabelecidas. Em tempos de corrupção e má gestão no futebol, a figura de Saldanha ressurge como um símbolo de integridade e paixão pelo jogo. A sua abordagem franca e sem rodeios é um lembrete de que o futebol é mais do que um simples entretenimento; é um reflexo da sociedade.

A derrota do Brasil para a Argentina em uma partida decisiva sempre evoca emoções intensas entre os torcedores. A rivalidade entre essas duas seleções é uma das mais emblemáticas do futebol mundial, e cada confronto traz à tona lembranças de glórias e desilusões.

Neste contexto, o nome de João Sem Medo ressurge como uma referência à paixão e à luta pelo futebol arte. É sempre lembrado por seu estilo ousado e suas convicções inabaláveis. Ele acreditava na combinação de talento individual com um jogo coletivo envolvente, algo que, muitas vezes, parece faltar nas atuações recentes da Seleção. Perder um jogo crucial pode refletir a falta de identidade e estilo de uma equipe que não honra a tradição do futebol brasileiro. Será preciso buscar a construção de uma identidade com jogadores radicados no Brasil.

A partida em questão não foi apenas um resultado negativo; foi um chamado para a reflexão sobre a filosofia de jogo da Seleção. Torcedores e críticos clamam por uma volta aos princípios que Saldanha defendia: a coragem, a criatividade e o prazer de jogar.

Deste modo, ao chamarmos João Saldanha, o sem medo, invocamos a urgência de um futebol, onde a ética e a paixão pelo jogo prevaleçam. Assim, é possível vislumbrar um futuro em que o Brasil reencontre sua essência e a rivalidade com as seleções adversárias se torne um palco para a resiliência e a grandeza do nosso futebol.

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