SAÚDE

Exercícios ajudam a prevenir Alzheimer


| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Os resultados do estudo mostraram que os animais que praticaram exercícios tiveram uma redução significativa nos principais marcadores da doença de Alzheimer.
Os resultados do estudo mostraram que os animais que praticaram exercícios tiveram uma redução significativa nos principais marcadores da doença de Alzheimer.

A prática de exercícios aeróbicos pode ser uma importante aliada na proteção do cérebro contra o Alzheimer e no restabelecimento do equilíbrio celular, que tende a diminuir com o avanço da idade.

Um novo estudo conduzido por cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou detalhes dos mecanismos por trás dos efeitos positivos da atividade física no cérebro. A pesquisa foi publicada recentemente no periódico Brain Research. As informações são da Agência Einstein.

No experimento, foram analisados dez ratos idosos, divididos em dois grupos. Durante dois meses, metade deles correu em uma esteira cinco vezes por semana, enquanto os demais permaneceram sedentários.

Ao final do período, os cientistas examinaram amostras da formação hipocampal, área cerebral responsável pelo aprendizado e pela memória.

Menos inflamação

Os resultados do estudo mostraram que os animais que praticaram exercícios tiveram uma redução significativa nos principais marcadores da doença de Alzheimer.

Houve também uma queda de 63% na proteína TAU e de 76% no acúmulo de beta-amiloide, ambas associadas à degeneração dos neurônios.

Além disso, os "ratos marombeiros" apresentaram menor acúmulo de ferro, que, em excesso, leva à destruição dos oligodendrócitos, células responsáveis pela produção de mielina - substância que protege os nervos e facilita a transmissão dos impulsos elétricos.

O grupo ativo também demonstrou menor inflamação cerebral e melhores condições para a comunicação entre os neurônios.

'O mínimo são três dias de treinos aeróbicos em dias alternados'

Os benefícios da atividade física para pacientes com Alzheimer já são conhecidos. "Os exercícios ajudam a reduzir inflamações crônicas ligadas ao envelhecimento, preservam a mielina, controlam os níveis de ferro no cérebro e diminuem a presença de moléculas associadas à doença", explica o neurocientista Robson Gutierre, um dos autores do estudo.

Tanto os exercícios aeróbicos quanto o treinamento de força desempenham um papel fundamental na prevenção de demências.

"O treinamento de força também eleva os níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que estimula a neuroplasticidade e protege contra o declínio cognitivo", acrescenta Brendo Faria Martins, especialista em fisiologia do exercício do Espaço Einstein de Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os pesquisadores reforçam que incluir a atividade física na rotina pode reduzir o risco de perda cognitiva e retardar a evolução da doença. Para aqueles que já praticam exercícios, a recomendação é realizar atividades aeróbicas até seis vezes por semana.

"O mínimo ideal são três dias de treinos aeróbicos em dias alternados. Quem não tem o hábito de se exercitar deve passar por uma avaliação física para definir a frequência e a intensidade mais adequadas", diz Gutierre.

Comentários

Comentários