ALERTA

Altas temperaturas aumentam o risco do chamado 'choque de calor'

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Getty Images
Calor requer a ingestão de muita água
Calor requer a ingestão de muita água

Com as temperaturas elevadas registradas em diversas regiões do Brasil, inclusive em Bauru, cresce a preocupação com os riscos à saúde, especialmente em relação ao chamado golpe ou choque de calor. Essa condição ocorre quando o corpo não consegue regular a própria temperatura em uma situação de calor extremo e desidratação.

Nesta última semana, por exemplo, Bauru passou por uma onda de calor e registrou, na quinta-feira (20), a maior temperatura do ano, de 36,8 graus Celsius, segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet). Ainda de acordo com a instituição, os termômetros continuarão a ultrapassar a casa dos 30 graus no sábado, domingo e início da semana, causando sensação de abafamento principalmente no período da tarde, quando há probabilidade de ocorrência de chuva com trovoadas isoladas de curta duração.

Médico integrante do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Ramon Andrade de Mello explica que os primeiros sinais do golpe de calor podem ser facilmente confundidos com um mal-estar causado pelas altas temperaturas.

Choque de calor e estresse térmico são condições relacionadas ao calor excessivo, mas com gravidades distintas. É caracterizado por sintomas como pele quente e seca (indicando falha na transpiração), tontura, fraqueza intensa, dor de cabeça forte, batimentos cardíacos acelerados, náuseas, vômitos, confusão mental e, em casos extremos, desmaios, convulsões e perda de consciência.

"O calor excessivo pode reduzir a quantidade de sangue circulando no corpo devido à perda de líquido", afirma Mello.

Já o estresse térmico é um estágio inicial do mal-estar o corpo ainda tenta se adaptar ao calor, embora já encontre dificuldades. Os principais sintomas são dores de cabeça, náuseas, câimbras, fraqueza, tontura, taquicardia e sede excessiva causada pela perda de líquidos e eletrólitos decorrente da desidratação.

"A urina escura, com odor forte e em menor volume, pode indicar um quadro de desidratação. Isso ocorre porque o organismo retém líquidos em resposta à baixa ingestão de água ou à perda excessiva de fluidos pelo suor", explica o médico.

A recomendação geral para evitar um quadro de desidratação é ingerir de 2 a 4 litros de água por dia, dependendo do peso e do nível de atividade física de cada indivíduo, afirma o clínico geral. Uma fórmula mais precisa sugere a ingestão de aproximadamente 35 ml de água por quilo de peso corporal ao dia, volume que deve ser ajustado de acordo com as condições climáticas e o nível de transpiração de cada pessoa.

Alguns grupos são particularmente suscetíveis aos riscos do calor extremo e precisam de cuidados adicionais. Entre eles estão as crianças, que ainda não possuem um sistema de regulação térmica completamente desenvolvido e que podem não sentir ou expressar sede adequadamente. Os idosos também estão em maior risco, pois frequentemente têm uma percepção reduzida de sede e enfrentam mais dificuldades na regulação da temperatura corporal.

Pessoas com doenças crônicas como cardiopatias, diabetes e problemas renais também demandam atenção especial, pois essas condições podem ser exacerbadas pelo calor. Atletas e trabalhadores que realizam esforço físico intenso ao ar livre também estão em maior risco.

O que fazer

É crucial agir rapidamente aos primeiros sinais de golpe de calor, a fim de evitar complicações. A pessoa deve ser levada para um ambiente fresco, e compressas de água fria podem ser colocadas na testa e nas axilas. Borrifar água fria também ajuda no resfriamento. Se a pessoa estiver consciente e capaz de engolir, ofereça água ou soro caseiro.

Em caso de desmaio ou confusão mental, o recomendado é deitar a pessoa e elevar suas pernas. Em situações graves, acione imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por meio do 192.

Comentários

Comentários