BAURU

Bisavó, escritora e professora, dona 'Celina' completa um século

Por Isabela Holl | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Jusselina é acompanhada por seu filho Edmundo e sua esposa Eugênia
Jusselina é acompanhada por seu filho Edmundo e sua esposa Eugênia

Jusselina Muniz Chaves completará um século de vida nesta quarta-feira (12). Desta longeva jornada, quase três décadas foram dedicadas a ser professora de crianças - que, hoje adultas, enviaram a ela depoimentos em celebração realizada em 31 de janeiro na Igreja Presbiteriana Independente de Bauru.

Dona Celina, como é conhecida, também realizou outros feitos, a maioria dos quais raros a uma pessoa com sua idade. Escreveu, por exemplo, um livro sobre o apocalipse com viés religioso. Detalhe: aos 97 anos e a mão.

Ao longo da vida, por sua vez, sempre se orgulhou atos de caridade que promoveu, como conta seu filho Edmundo Muniz Chaves. Entre as "maiores obras" de Jusselina estão seus 13 netos, 17 bisnetos e sete filhos.

"Acredito que minha vocação filantrópica deve-se muito ao que ela ensinou para mim", destaca o filho Edmundo, que é fundador da entidade social Esquadrão da Vida de Bauru. Ele conta que o caráter enérgico e amoroso de Celina é o motivo por trás dos inúmeros amigos que coleciona.

No dia 31 de janeiro, cerca de 400 pessoas compareceram à celebração em homenagem à aniversariante, na Primeira Igreja Presbiteriana Independente.

Seus ex-alunos fizeram questão de enviar depoimentos para a professora Celina. Um deles elaborado pela atual prefeita de Duartina, Susy Simão, que foi sua estudante.

"Fiquei admirado porque a igreja estava lotada e nós não fizemos uma grande divulgação. Ela ficou cerca de uma hora tirando fotos com todos que queriam dar um abraço nela", ressalta o filho Edmundo. Ele conta ainda que, na data do aniversário, também haverá uma pequena celebração em família.

"Na minha infância, nossa casa vivia cheia de gente o tempo todo e até hoje ela recebe muitas visitas. Algo que marcou a minha vida é que sempre que alguma família tinha problemas, minha mãe se dispunha a receber os filhos em casa até o núcleo familiar se estabilizar", conta.

SALA DE AULA

Mãe e filho têm a docência em comum: ele é professor aposentado de Administração e ela se aposentou em 1975, após 28 anos de magistério divididos entre as cidades de Jaú e Duartina. "Ela tinha um dom de ensinar, quando algum aluno tinha dificuldades, a diretora da escola a chamava", diz Edmundo.

Todos os seus filhos foram seus alunos, mas não tinham privilégios por isso. Dona Celina, afinal, cobrava deles um comportamento exemplar em sala de aula.

Seu começo como professora, em 1945, foi desafiador. Celina saiu de casa aos 19 anos e foi trabalhar em uma escola de Piacatu (região de Adamantina) e depois pediu transferência para Lucianópolis a fim de ficar perto da família.

No início teve de morar em pensão, mas foi nesse local que conheceu o médico Edgardo Chaves (já falecido), que viria a se tornar seu marido. O filho conta que os pais eram carinhosos, mas sempre "firmes" na disciplina dos pequenos.

Quando se aposentou, continuou a ensinar na igreja, com classes voltadas ao conhecimento da Bíblia. Dona Celina possui uma atenção voltada para a parte de Apocalipse da bíblia. O livro que escreveu à mão chama-se "Consumação dos Séculos".

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A professora começou a lecionar com cerca de 20 anos
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A aniversariante foi celebrada durante culto na Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Bauru
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