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Um único filho e muitos desafios


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Especialistas falam sobre a criação de filhos sem a presença de irmãos
Especialistas falam sobre a criação de filhos sem a presença de irmãos

Famílias com filho único são cada vez mais comuns hoje em dia. Uma configuração que vem acompanhada de desafios específicos, conforme apontam especialistas ao jornal argentino La Nacion.

Em relação à criação, a psicóloga Malena Murga considera que há diferenças entre filhos com irmãos e únicos.

"A presença dos irmãos faz com que a mudança de etapas ocorra um pouco mais rápido. Porque o irmão mais velho faz determinadas coisas e empurra o mais novo. Às vezes, essas etapas de ganho de autonomia demoram um pouco mais no caso de famílias com um único filho", diz.

Segundo Murga, o filho único enfrenta o desafio de lidar com a solidão. "A criança precisa aprender a conviver bem com isso e a desenvolver sua própria vida", acrescenta.

Zona de conforto e segurança, o núcleo familiar é onde muitas coisas importantes da vida são aprendidas.

"Você aprende como encarar que te tirem o lugar, que tenha que esperar, perder, ceder. A empatia, o que acontece com o outro quando você fica com tudo& É mais fácil aprender tudo isso na zona de máxima segurança e com os pais como referências que podem servir de guia", afirma a neuropsicóloga Alejandra Mignani, que reconhece que as crianças vão para a creche cada vez mais cedo, onde essa etapa ocorre, mesmo que não haja irmãos em casa.

De acordo com uma publicação de Alice Goisis, professora de Demografia e subdiretora de pesquisa no Centro de Estudos Longitudinais da University College de Londres, é uma realidade a preocupação dos pais de filhos únicos com o fato de que crescer sem irmãos possa afetar suas habilidades sociais.

No entanto, ela explica que as pesquisas descobriram "que os filhos únicos não são diferentes de seus colegas que têm irmãos em caráter e sociabilidade".

Mais fácil para identificar talentos

Ser filho único não precisa ter conotações negativas. Com pais atentos, é possível tirar proveito da situação. Nesse contexto, é mais fácil acompanhar as necessidades e o desenvolvimento.

"Com a atenção mais aguda se pode identificar fortalezas, explorar talentos: se o filho tem vocação para a arte, habilidade em um esporte. Quando há muitos irmãos, essas coisas costumam se perder ou são percebidas depois", afirma Mignani.

Para a administradora carioca Marianna Fernandes, de 25 anos, crescer sendo filha única trouxe aprendizagens sobre não ser egoísta e como socializar com outras crianças da mesma idade.

"Hoje, eu acho uma delícia ser filha única. Na percepção dos meus pais, também acho que isso foi positivo, até mesmo financeiramente, porque acabei tendo mais privilégios do que se tivesse tido irmão", conta Marianna.

A administradora planeja ter apenas um filho. "Também quero garantir que vou proporcionar tudo que eu tive e mais para o meu filho", diz Marianna.

Esportes e laços com primos

O conselho de Murga é que os pais de filhos únicos se esforcem para oferecer variados contextos de socialização além da escola. Essas crianças precisam se movimentar mais e praticar esportes. Se houver primos de idade semelhante, é conveniente que elas compartilhem momentos com eles. E filho único é filho malcriado? Não precisa ser assim, isso depende da criação. "Pode gerar um efeito negativo o fato de aquele filho sempre ter tido tudo. Não teve que esperar, desejar ou gerenciar a frustração. São crianças que, depois, se tornam muito exigentes com elas mesmas", avalia Mignani. Nesses casos, faltam ferramentas para lidar com a frustração, segundo ela. "Não para todos. É possível ter um filho único e criá-lo com consciência", destaca.

Marianna Fernandes, de 25 anos, gosta de ser filha única e também planeja ter só um filho (crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo)
Marianna Fernandes, de 25 anos, gosta de ser filha única e também planeja ter só um filho (crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo)

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