MÉDICA EXPLICA

Como proteger sua saúde em período de queimadas e tempo seco


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A média Daniela Rigotto Bannwart
A média Daniela Rigotto Bannwart

As queimadas são um problema ambiental de grandes proporções, com impactos diretos e graves na qualidade do ar e, consequentemente, na saúde da população. São especialmente críticas para indivíduos com doenças respiratórias, como rinite e asma. A médica alergista Daniela Rigotto Bannwart, cooperada Unimed Bauru, alerta sobre os riscos que as queimadas representam para a saúde respiratória.

Durante as queimadas, uma vasta quantidade de poluentes é liberada na atmosfera, incluindo material particulado (como PM2.5 e PM10), monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e compostos orgânicos voláteis. O material particulado é extremamente prejudicial. "Essas partículas minúsculas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar os alvéolos, onde ocorre a troca gasosa essencial para a respiração. Para pacientes alérgicos e asmáticos, isso pode ter consequências graves”, frisou Daniela.

A inflamação da mucosa nasal, característica da rinite, é exacerbada pela presença desses poluentes, o que resulta em sintomas como secreção nasal, espirros, coceira nos olhos e congestão nasal. Isso torna a respiração mais difícil e desconfortável.

A situação é ainda mais crítica para pacientes asmáticos. "A inalação de poluentes presentes na fumaça das queimadas pode causar broncoespasmos, que são a contração dos brônquios, o que dificulta a respiração. Isso pode resultar em crises asmáticas severas, que muitas vezes requerem intervenção médica urgente", alerta a especialista. Ela também enfatiza que a exposição prolongada pode não só agravar os sintomas da asma, mas também acelerar o declínio da função pulmonar.

Além dos impactos em pacientes com condições preexistentes, as queimadas aumentam a incidência de doenças respiratórias agudas em toda a população, sobrecarregando os sistemas de saúde. A médica destaca a importância de adotar medidas preventivas para minimizar esses impactos:

  • Lavagem nasal: Realizar a lavagem das narinas com soro fisiológico pode ajudar a remover partículas irritantes e alérgenos, aliviando a congestão nasal e melhorando a respiração.
  • Evitar atividades ao ar livre: A médica sugere evitar exercícios e atividades físicas ao ar livre durante períodos de alta poluição ou fumaça intensa, pois a exposição pode agravar os sintomas respiratórios.
  • Uso de purificadores de ar e umidificadores: "Purificadores de ar dentro de casa ajudam a reduzir a concentração de poluentes. Manter a umidade do ar em níveis adequados com umidificadores também é importante para saúde respiratória, porém evitar que estes umidificadores fiquem perto de locais que possam acumular ácaros e fungos é também muito importante para os pacientes alérgico a esses aeroalergenos explica a Daniela.
  • Ventilação adequada: Manter os ambientes internos bem ventilados é crucial, mas durante queimadas, "é recomendável manter janelas e portas fechadas para impedir a entrada de fumaça. Se necessário, use ventiladores para melhorar a circulação de ar interno", aconselha.
  • Uso de máscaras apropriadas: Quando a exposição à fumaça é inevitável, o uso de máscaras com filtros, como as N95, para reduzir a inalação de partículas nocivas.
  • Hidratação: "Beber bastante água é essencial para manter as vias respiratórias hidratadas e ajudar o corpo a eliminar toxinas. A hidratação também facilita a eliminação do muco", afirma a médica.
  • Manter o tratamento regular: Seguir rigorosamente o tratamento prescrito pelo médico é fundamental para o controle das doenças respiratórias. "O uso regular dos medicamentos e a disponibilidade de inaladores de resgate são essenciais para evitar complicações", destaca.
  • Acompanhamento médico regular: Daniela enfatiza a importância de visitas frequentes ao médico para monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento conforme necessário. "Procurar ajuda médica ao menor sinal de agravamento dos sintomas é crucial para evitar complicações graves", adverte.

Além das medidas individuais, é essencial promover a conscientização sobre o impacto das queimadas na saúde pública e apoiar políticas públicas mais rigorosas para prevenir e controlar as queimadas. "A proteção da qualidade do ar é uma responsabilidade coletiva, e a atuação governamental é fundamental para reduzir os riscos à saúde da população", conclui a médica.

Em Bauru

As unidades de saúde de Bauru registraram um aumento significativo de problemas respiratórios nos últimos três meses, consequência das altas temperaturas e da baixa umidade relativa do ar. Em junho, foram contabilizados 10.496 casos, com média de 349 atendimentos diários. Em julho, o número caiu para 8.161 casos, uma média de 272 por dia, mas voltou a subir em agosto, alcançando 10.543 ocorrências, com 340 casos diários, em média.

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