LOCALIZAÇÃO

Furto ao BC: porta-retrato apreendido pela Deic Bauru leva ao 'engenheiro' do túnel

'Cabeção' apareceu em investigação da polícia sobre o mega-assalto em Ourinhos

Por Larissa Bastos | 09/12/2023 | Tempo de leitura: 3 min
da Redação

Polícia Civil/Divulgação

Da esquerda para a direita: imagem de Marcos Rogério exibida em série da Netflix e identificada pelo delegado; foto do porta-retrato encontrado; e fotografia us
Da esquerda para a direita: imagem de Marcos Rogério exibida em série da Netflix e identificada pelo delegado; foto do porta-retrato encontrado; e fotografia us

Um porta-retrato apreendido pela 1.ª Delegacia de Investigações Gerais (1.ª DIG) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), de Bauru, colocou a Polícia Civil no encalço de Marcos Rogério Machado Morais, o Cabeção ou Bocão, suspeito de ser o "engenheiro" do túnel usado no histórico furto ao Banco Central (BC) de Fortaleza, há 18 anos.

Ele estava foragido desde 2011 e foi capturado na sexta-feira (1), em Sorocaba (245 quilômetros de Bauru). O crime, considerado até hoje um dos maiores do Brasil, foi registrado em agosto de 2005. Na ocasião, cerca de 20 assaltantes conseguiram levar mais de três toneladas em notas de R$ 50,00 do BC, equivalentes a R$ 165 milhões. As cédulas foram retiradas do cofre por meio de um túnel de mais de 80 metros de comprimento e que teria sido projetado por Marcos Rogério.

Em entrevista ao JC, o delegado Cledson do Nascimento, titular da 1.ª DIG/Deic, conta que Cabeção apareceu, na verdade, no decorrer das investigações do mega-assalto ao Serviço Regional de Tesouraria (Seret) do Banco do Brasil em Ourinhos (130 quilômetros de Bauru), em maio de 2020.

Conforme o JC noticiou, na ocasião, cerca de 40 homens fortemente armados cercaram ruas do município, fizeram seis pessoas reféns, trocaram tiros com a polícia, explodiram o cofre do banco e fugiram com milhões de reais em dinheiro. Neste roubo, Marcos Rogério é suspeito de ser um dos financiadores do crime.

"Quando monitorávamos Elinelson [Alexandre Ferreira], vulgo Pinga (apontado como uma das principais lideranças do roubo de Ourinhos e de outros violentos mega-assaltos e que foi preso em dezembro de 2022, no Pará), cumprimos busca em um apartamento em Alphaville (São Paulo). Lá, foram encontrados cartões bancários e um porta-retrato. Depois, estava assistindo à série da Netflix sobre o assalto ao Banco Central e vi a foto de um dos envolvidos que estava foragido. Me deu um 'start', como se eu já o tivesse visto em algum lugar. Então me lembrei do porta-retrato", detalha Nascimento.

Diante da lembrança, o delegado fez apurações e descobriu, em 2021, que Cabeção estaria usando documentos falsos com o nome de um morador de Sergipe que não tem antecedentes criminais. Para confirmar a teoria, foram solicitadas as digitais deste indivíduo ao instituto de identificação de Sergipe, das quais, quando comparadas com as de Marcos Rogério, foram correspondentes. O confronto foi realizado por papiloscopistas da Deic de Bauru.

"A partir disso, passamos a buscá-lo. Em trabalhos da 1.ª DIG e do Escritório de Inteligência da Deic, achamos um apartamento da família em São Bernardo do Campo e recebemos informações de que ele poderia estar na região de Indaiatuba. Compartilhamos isso com a Delegacia de Roubo a Banco do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Capital, e com a Polícia Federal", afirma Nascimento.

Com base nesses dados, o Setor de Inteligência do Departamento Estadual de Investigações Criminais fez apurações mais aprofundadas e constatou que o procurado frequentava um imóvel em Salto, município que faz divisa com Indaiatuba e fica próximo a Sorocaba. "Acho que nossa investigação foi importante no sentido de achar algum rastro dele depois de tantos anos sumido", avalia o delegado.

Marcos Rogério passou a ser monitorado até ser encontrado na sexta-feira (1), em um shopping no bairro Parque Reserva Fazenda Imperial, em Sorocaba. Ele foi capturado por policiais civis da 1.ª Delegacia Patrimônio (Investigações sobre Roubo e Latrocínio). Não houve resistência à prisão.

Morais já havia sido preso anteriormente, mas fugiu da penitenciária em Itaitinga, no Ceará, em 2011. Ele foi resgatado da cadeia por um grupo armado, junto com outro acusado do furto ao BC e mais 8 detentos.

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