Depois de muitos anos acompanhando notícias de escândalos acontecidos em nossos ambientes governamentais gerando indignação e reclamando punição, parece que diante dessa triste contingência histórica estamos extraindo boa lição de vida e experiência e conseguindo superar situações e criar condições para impedir que nosso sistema de vida continue deturpado e para garantir que se apurem com normalidade responsabilidades e se efetuem punições devidas. Enfim, é bom rumo nacional.
Fundamentalmente, escândalo é sucessão de fatos que alteram determinado universo por contrariar sentimentos e valores, agredir conceitos e regras consolidadas produzindo resultados que quando conhecidos geram quadro de perplexidade e repercussão pública de repulsa. Esses fatos quase sempre são penumbrosos, praticados com discrição e com sigilo de ações e disfarce de objetivos porque o desconhecimento público constitui cautela para garantir expectativa de impunidade, com redução de riscos e consequências. E um esperto modo de agir em proveito pessoal e em detrimento do coletivo.
Todavia, estamos descobrindo, lenta e seguramente, pela atuação investigativa de agentes públicos ou privados e pela correta aplicação das nossas leis, que quase sempre é a partir de um fato visível e eventualmente visualizado que nasce a suspeita de escândalo, possibilitando aos investigadores - autoridade ou jornalismo investigativo típico de imprensa livre e corajosa - apurar toda sua cadeia constitutiva em busca de respostas e comprovações de alta significação. O que aconteceu? Quando? Onde? Quem fez e quem ajudou? De que modo foi feito? Quais são resultados e consequências? Essas apurações e comprovações são obtidas mediante ações investigativas carregadas de responsabilidades, realizadas em exata conformidade com as leis e sistemas de garantias, com quebra de sigilos, buscas, obtenção de documentos, delações legais, colheita de testemunhos e meticulosos trabalhos periciais, permitindo que se documente e se tornem de conhecimento público os fatos constitutivos de um escândalo para, então e assim, justificar implicações e sanções adequadas e pertinentes, ainda e sempre conforme as garantias das leis. Sem truculência e arbitrariedades.
Escândalo tornado público, judicializado ou não, fragiliza socialmente os envolvidos e a eles carrega reprovação pública fixando indisfarçável carimbo negativo que desqualifica suas vidas. Pouco importam e quase nada significam as negativas, álibis, explicações e justificativas esfarrapadas ou com meias verdades diante da repercussão de um escândalo com fatos bem investigados e comprovados, porque na briga contra fatos bem provados são mínimas as expectativas de sucesso.
Diante do inafastável poder/dever de apurar e diante de investigações eficientes, fica difícil escamotear as condutas praticadas nas penumbras do sigilo para dificultar apurações de escândalos. E isso constitui ótima forma de prevenção e significativo sinal de alerta para quem planeja ultrapassar limites civilizado. Recomendável, portanto, diante das novidades atuais que fatos tendentes a produzir escândalos pelas consequências que podem gerar, não devem ser cogitados e nem executados. Isso é bom para aprimorar os valores integridade e honestidade!
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