OPINIÃO

'Parar ou não parar'

Por Alfredo Enéias G. d'Abril |
| Tempo de leitura: 2 min
Prof. universitário, aposentado

A aposentaria de todo trabalhador brasileiro é atendida diante da ocorrência dos motivos mencionados no sistema de previdência social. Em situações não cobertas pela previdência, a inatividade pode ter por causa a fadiga e a desesperança pelas perdas no combate às adversidades, bem assim o desalento daquele que frequentemente escreve em órgão da imprensa abrindo caminhos para a coleta de melhores resultados a favor de determinadas categorias funcionais, ou mostra seu juízo crítico a posições assumidas pela Administração. Todavia, não visualiza frutos daquilo que semeia. Seja como for, qualquer motivo causador da inatividade, nossa cultura espera que o evento deva ser comemorado pelos familiares e amigos mais próximos do jubilado, porquanto esse fato o liberta do trabalho diário e obrigatório, ainda faculta ao aposentado de boa saúde e com vontade de continuar trabalhando, outra possibilidade de encontrar nova atividade econômica com autonomia, ou até mesmo empregar-se com carteira assinada.

Digo isso ao tomar conhecimento da despedida do professor Joaquim Eliseo Mendes da tarefa de colaborador do JC, anunciando no seu último artigo publicado na página 33 da edição do final desta semana. Conhecendo por longos anos o professor Joaquim, tornei-me assíduo leitor de seus escritos, e, diante de sua alternativa de parar ou não parar de escrever, tenho a lamentar a decisão negativa tomada pelo professor e escritor bastante conhecido por suas obras intelectuais dirigidas aos professores do ensino fundamental, elaboradas de sorte a expor na composição das letras suas reconhecidas virtudes éticas e morais na condução de uma vida profissional e familiar salutares. Encerra sua proficiente colaboração com a imprensa a quem entregou cerca de 300 matérias, todas publicadas, mantendo ainda bom estado enérgico que age como reserva para gastá-lo futuramente, caso excepcione sua vontade, com suas retóricas sobre educação, profissão e especialidade exercidas por vocação. Priva-nos de tantos assuntos que na certa viriam expostos com amplo conhecimento, abonados por sua vida longeva entremeada de vitalidade, condição para haver ultrapassado a casa dos 90 anos de existência.

Afastar-se definitivamente da arte de escrever sustentando muita bagagem a contribuir é decisão pessoal do prof. Joaquim, entretanto, o seu derradeiro texto deixa transparecer, como ideia geral, uma profunda decepção com os desacertos dos dirigentes do país, conseguindo fazê-lo cada vez mais pobre e, estruturado nas dificuldades burocráticas, o que desanima os cidadãos ao acesso a muitos serviços prestados pela Administração. Essa real visão de uma sociedade distorcida e sempre com diferenças de toda ordem, insolúveis entre suas categorias, não se compraz com o modo correto de pensar do professor Joaquim, o que justifica sua decisão de nos deixar.

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