OPINIÃO

Um blá-blá-blá sem fim

Por Paulo Neves |
| Tempo de leitura: 2 min

Nunca imaginei que meu nome fosse colocado em caixa alta em uma coluna tão prestigiada como é a Tribuna do Leitor, aqui do JC. Nunca imaginei que o meu vizinho de tantos anos ali na rua Gerson França, o amigo Demerval, tivesse lido o que escrevi sobre solidão e esportes. Muito obrigado. Deixando o blá-blá-blá-de lado, porque eu preciso driblar a solidão fazendo coisas úteis, mas também passo horas e horas assistindo às concessões públicas de canais de televisão, um privilégio concedido pelo governo há muitos anos a homens e mulheres, para discutir futebol e outros assuntos mais importantes. Eles não discutem o Gilmar Fest, em Lisboa, com a presença dos ministros de Lula. Empresários que apoiaram Bolsonaro. Banqueiros que apoiam os bilionários e caso precisem dos ministros é dando que se recebe... e vamos nós!

Voltemos ao blá-blá-blá esportivo, pelo menos com tóxico em baixa, começo com um programa muito bem elaborado e coordenado de esportes na televisão brasileira viciada em debates, que é o Resenha, da ESPN. Apresentado pelo jornalista André Plihal, grande profissional que dignifica a classe. Um programa inteligente, divertido, com boas entrevistas acompanhado de Amoroso (grande jogador), Zinho (grande jogador), Castan (bom jogador), entre outros. Ali ninguém é Mestre, ninguém inventa, não tem passa pano, não tem "carioquês" com "esses" e "erres". Não tem informações inócuas e não tem o Arauto do Apocalipse e da CBF André Rizek. Esses bate-papos que varam a madrugada têm discussões entediantes com comentaristas cansados e com sono.

O pior é que eles passam o replay dos jogos do dia e da noite que acabaram de passar. Um sofrimento desnecessário. Em outros horários eles mascaram usando do mesmo artifício do replay com o nome de Giro da Rodada ou então o Pré-Jogo, um engana trouxa de uma hora em um jogo menor. No meio do programa há uma pausa para a fala do técnico, que fala do juiz, que fala do pênalti marcado ou não marcado e que na Europa é diferente.

Discutem agora o racismo, assunto de todas as pautas esportivas em todos os canais. Não que não seja importante, claro que é, meu medo é que vire moda, temos que combater com todas as forças, lutar sempre contra esse abominável racismo, mas em dezembro acaba o Campeonato Brasileiro, tomara que muita coisa tenha mudado até lá! Sabemos que é uma questão educacional, cultural, jurídica, econômica. Vamos aguardar!

Fica uma pergunta: será que esses assuntos esportivos merecem tantas horas de debates, discussões infrutíferas, blá, blá, blá que mereçam atenção do telespectador? Continuo gostando muito de futebol e vôlei, mas acredito que temos assuntos mais sérios que esses bate-papos mediáticos.

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