MEIO AMBIENTE

Cooperativas de recicláveis de Bauru pedem ajuda à prefeitura

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Tisa Moraes
A reunião foi realizada no auditório da Assenag em Bauru
A reunião foi realizada no auditório da Assenag em Bauru

Com intermediação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema), cooperativas de catadores de recicláveis e associações vinculadas ao trabalho realizado por elas irão elaborar um documento para solicitar medidas da prefeitura no sentido de garantir que este serviço possa continuar sendo realizado e até ampliado. Em reunião promovida na última sexta-feira (30/6), representantes do setor apontaram para a necessidade de o município subsidiar a atividade, como forma de reduzir o volume de resíduos levados ao aterro e, ainda, oferecer melhores condições de vida a estes profissionais.

Até agosto de 2021, o Executivo mantinha um contrato de gestão dos Ecopontos junto à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam), mas, devido ao apontamento de inconsistências no convênio, a parceria, que destinaria R$ 2,38 milhões à entidade naquele ano foi rompida. Desde então, apenas o pagamento de água e luz e a cessão de maquinário são oferecidos às cooperativas. A mais antiga delas, a Cootramat, também conta com uma área pública para funcionar.

DIFICULDADES
A reunião de sexta-feira foi realizada no auditório da Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) e contou com a participação de representantes da entidade, do Comdema, da Ascam, da Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten) e das cooperativas, além dos vereadores Chiara Ranieri, Coronel Meira e José Roberto Segalla.

Na ocasião, trabalhadores revelaram as graves dificuldades pelas quais estão passando. Cooperada da Cootramat, localizada no Jardim Redentor, Cecília Pereira de Souza relatou que o barracão onde atua está sem energia elétrica há três meses, devido ao furto de fios e do relógio de energia. Como a cooperativa não possui condições de manter um vigilante no local, também foram levados os maquinários utilizados para tratar os materiais, como prensa e picotadora de papel.

"Até os recicláveis estão sendo furtados. A gente separa em um dia e, no outro, já não está mais lá. Nem porta nos banheiros temos mais. E, como os materiais não são mais prensados, o preço de venda diminui", descreve ela.

REDUÇÃO
Cecília conta que, diante da diminuição do volume e do valor dos materiais coletados, o número de cooperados no barracão caiu de 35 para oito. Eles ganham, em média, R$ 800,00 por mês. Já na Eco Recicla, que funciona em um imóvel no Parque Roosevelt e está com dois meses de aluguel atrasado, a quantidade caiu de 12 para cinco, conforme descreve a presidente Catiana da Silva Santana.

"Já recebemos uma notificação e estamos a ponto de sermos despejados. Não temos o que fazer, porque, se pagarmos o aluguel, os cooperados ficam sem salário. Também estamos com um caminhão quebrado parado e pegando recicláveis dos Ecopontos com uma caminhonete emprestada", lamenta.

Presidente da Ascam e da cooperativa Coopeco, a maior das quatro existentes em Bauru, localizada no Ferradura Mirim, Gisele Moretti relata que a Emdurb só coleta, atualmente, cerca de 70 toneladas de materiais recicláveis por mês (menos da metade de cinco anos atrás) e outras 70 são destinadas aos Ecopontos. "No passado, só no Ecoponto, já tiramos 220 toneladas por mês. Eu tinha 60 cooperados e, agora, são 33. Antes, eles recebiam uma média de R$ 2 mil, que, hoje, caiu para R$ 1,3 mil", conta.

MEDIDAS
Bauru produz, a cada dia, cerca de 300 toneladas de lixo doméstico, que é levado ao aterro de Piratininga. A estimativa é que 40% deste montante seja de materiais que poderiam ser reciclados, mas são dispensados junto ao lixo orgânico.

Para mudar esta realidade, sugestões foram apresentadas na reunião realizada na Assenag e serão encaminhadas à chefe do Executivo bauruense, Suéllen Rosim. O vereador Coronel Meira apontou, por exemplo, para a possibilidade de o município pagar às famílias que vivem em bairros periféricos um valor pelos recicláveis separados por elas, entregando o montante coletado às cooperativas.

Presidente do Comdema, Ricardo Crepaldi pediu que os vereadores façam a intermediação das discussões junto à prefeitura sobre medidas que possam ajudar as cooperativas. Já o presidente da Assenag, Aloisio Costa Sampaio, propôs a realização de uma campanha de conscientização ambiental ao longo do mês de agosto, que marca as comemorações de aniversário de Bauru.

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